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FHC evita críticas a Azeredo e diz Alckmin terá que "batalhar" por 2º turno

Valter Campanato/Agência Brasil
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

23/05/2018 22h26Atualizada em 12/09/2018 11h15

Em evento de lançamento do seu novo livro "Crise e Reinvenção da Política no Brasil", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) evitou criticar diretamente o ex-governador de Minas Gerais e correligionário de partido, Eduardo Azeredo, preso nesta quinta-feira (23) por crimes relacionados ao esquema que ficou conhecido como mensalão tucano. 

Durante debate na livraria Argumento, no Leblon, zona sul do Rio, FHC disse que o mensalão tucano se diferencia do petista porque, no primeiro caso, não houve aparelhamento para comprar votos de deputados. "Não houve uma organização para pagar deputado. Não estou dizendo que [Azeredo] não é culpado. Mas são coisas diferentes."

"Foi uma prática que não é aceitável, manobrada por outras duas pessoas lá em Minas [o publicitário Marcos Valério e o ex-presidente da Federação dos Transportes Décio Andrade]. Para obter recursos de campanha, utilizaram contratos de empresa estatal. Ele disse que não sabia. Foi condenado a 20 anos e meio de cadeia", afirmou. 

FHC disse que conhece pouco o ex-governador. "Pessoalmente, eu não sei se ele fez alguma coisa. Conheço o Eduardo pouco, mas conheço. É uma pessoa normalmente austera, correta", afirmou.

Questionado sobre uma possível autocrítica do seu partido a respeito de Azeredo e do senador Aécio Neves, réu no STF (Supremo Tribunal Federal) após ser gravado pedindo propina ao empresário Joesley Batista, FHC declarou que "o sistema político como um todo escandalizou a sociedade". 

Tietado durante o evento, FHC saiu sem falar com a imprensa. Questionado pelo UOL se achava que a pena de Azeredo havia sido justa, o tucano declarou apenas que "já havia dito tudo" sobre o assunto.

Alckmin “vai ter que batalhar” por 2º turno, diz ex-presidente

FHC também evitou traçar cenários para as eleições presidenciais deste ano. "Quem está na frente é a pessoa mais acusada. É o Lula. Então vamos devagar com andor", analisou. 

Segundo ele, a candidatura do tucano Geraldo Alckmin deve ser pautada pela "coerência" política. 

"Geraldo tem que manter a coerência, senão perde", afirmou o ex-presidente, evitando dar um prognóstico sobre a performance do tucano. "É cedo para saber, não sabemos como vai ser o desempenho [de Alckmin] durante a campanha. O candidato do PSDB vai para o segundo turno? Provável, mas vai ter que batalhar", continuou. 

Pelo cenário fragmentado, FHC disse que é difícil supor que esta será, novamente, uma eleição polarizada entre PT e PSDB.

"Aqueles do PT com quem eu conversei têm esperança de que [a polarização] vá se repetir. Não dá para prever. Quem vai ser o candidato real do PT? Vai ser do PT? Vai ser uma aliança? Não se sabe ainda como será." 

FHC também poupou críticas mais duras ao pré-candidato do PSL Jair Bolsonaro, mas criticou a “incoerência” do deputado federal. "Quando eu era presidente ele queria me fuzilar. Eu nunca prestei atenção", ironizou. "Era ultraestatizante, nacionalista, não sei o quê. Agora é liberal? Precisa ter coerência. A pessoa tem que ser como ela é." 

Também disse desconhecer Flavio Rocha. "Disseram que eu o lancei. Não lancei, nem o conheço", afirmou, sob risos da plateia. "O Ciro não coloco aqui por causa da imprevisibilidade. E paro por aqui." 

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