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Marcelo Crivella vira réu por improbidade administrativa

Gabriel de Paiva/Agência O Globo
Imagem: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

15/09/2018 18h13Atualizada em 15/09/2018 19h16

A Justiça Estadual do Rio de Janeiro aceitou uma denúncia contra o prefeito da capital, Marcelo Crivella (PRB), e o tornou réu por improbidade administrativa no caso que envolve uma reunião reservada realizada com pastores e líderes religiosos no Palácio da Cidade, a sede da prefeitura.

A denúncia foi apresentada pelo MP (Ministério Público) em julho, após o prefeito promover o encontro. Na reunião, Crivella ofereceu facilidades como auxílio em cirurgias de cataratas e varizes para fiéis e assistência a pastores que tivessem problemas de IPTU em seus templos.

A denúncia foi acatada na última quarta-feira (12) pelo juiz titular Eduardo Antonio Klausner, da 7ª Vara de Fazenda Pública do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro). Caso seja condenado, Crivella pode ter os direitos políticos suspensos.

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que a decisão do juiz "configura um rito processual comum" e que Crivella a recebeu com "tranquilidade".

"[Crivella] tem a convicção de que a Justiça só vai comprovar mais um equívoco jornalístico. Aliás, erro grave, que manipulou a opinião pública e atentou contra a democracia", diz a nota.

Entenda

O caso foi divulgado pelo jornal “O Globo”, que teve acesso a mensagens do aplicativo WhatsApp em que o encontro foi combinado. "Na ocasião, ouviremos tudo que a prefeitura tem a nos oferecer, inclusive instalação de creches", diz a mensagem obtida pela reportagem.

De acordo com o jornal, a agenda foi tratada como “secreta”. Também teria sido solicitado que os participantes levassem “reivindicações por escrito, relações de suas igrejas e números de membros”.

Ainda segundo a reportagem, durante seu discurso no encontro, o prefeito afirmou que uma assessora sua poderia ajudar os “irmãos” que tivessem alguém na igreja com problema de catarata. 

“Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, por favor falem com a Márcia. É só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, e daqui a uma semana ou duas eles estão operando”, disse.

O prefeito também afirmou ser preciso "dar um fim" no pagamento de IPTU pelas igrejas. "Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na Prefeitura para esses processos andarem. Temos que dar um fim nisso".

À época da denúncia, a prefeitura do Rio afirmou que a reunião teve como objetivo “prestar contas e divulgar serviços importantes para a sociedade, entre eles o mutirão de cirurgias de catarata e o programa sem varizes”.

"Desde o início de sua gestão, o prefeito Marcelo Crivella já recebeu os mais diversos representantes da sociedade civil, para tratar dos mais variados assuntos, tanto em seu gabinete quanto no Palácio da Cidade", informou a prefeitura.

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