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Bolsonaro desautoriza assessor de Guedes e ameaça de demissão quem o criticar publicamente

31.out.2018 - Bolsonaro (à esq.) conversa com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes - Sergio Moraes/Reuters
31.out.2018 - Bolsonaro (à esq.) conversa com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Sergio Moraes/Reuters

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

05/11/2018 19h09

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta segunda-feira (5), em entrevista à Band, que não vai tolerar críticas públicas de pessoas que fazem parte ou que assessoram a equipe do futuro governo. "A decisão que eu tomei, quem criticar qualquer um de nós publicamente [eu] corto a cabeça", disse ele.

A resposta foi dada depois que o apresentador do "Brasil Urgente", José Luiz Datena, citou uma reportagem chamada na homepage do UOL em que Marcos Cintra, assessor de Paulo Guedes, critica a adoção do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e defende a aplicação de uma alíquota reduzida sobre toda transação nas contas bancárias (modelo semelhante ao da extinta CPMF).

Ex-deputado federal, Cintra integra a equipe de transição lotada em Brasília e é apontado como um dos principais conselheiros de Guedes, já anunciado futuro ministro da Economia.

"Esse cara já foi deputado e está lá na equipe de transição. Já conversei com ele para não falar aquilo que não tiver acertado com o Guedes e comigo. Parece que tem certas pessoas que, se é a verdade a informação, não pode ver uma lâmpada que se comporta como mariposa."

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Na última sexta-feira (2), matéria de "O Globo" informou que o núcleo econômico do futuro governo pretendia usar um imposto sobre movimentação financeira para custear a Previdência.

O tributo incidiria sobre todas as operações, como saques e transações bancárias, em modelo semelhante ao da CPMF. As informações foram confirmadas por Cintra, de acordo com o jornal.

O economista negou o relato do jornal em mensagem publicada no Twitter e em seu site oficial. "[O Globo] atribuiu a mim a afirmação de que Jair Bolsonaro iria recriar a CPMF. Mentira. Nunca disse isso. Não gosto da CPMF e quando fui deputado federal votei contra ela todas as vezes em que se tentou prorrogá-la."

Após a reportagem, Bolsonaro publicou no Twitter uma mensagem informando que desautorizava "quaisquer informações prestadas junto à imprensa por qualquer grupo intitulado 'equipe de Bolsonaro' especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência, etc".

Na entrevista à Band, nesta segunda, o presidente eleito voltou a desautorizar o assessor de Guedes.

"Espero que não seja verdadeira a notícia. (...) Não pode haver crítica. Não interessa quem seja."

Posteriormente, o pesselista abrandou o tom e afirmou ter "profundo apreço pelo Marcos Cintra". Um assessor interrompeu a entrevista para explicar que o assunto já havia sido tratado internamente.

Durante a entrevista, no entanto, visivelmente irritado, Bolsonaro afirmou que "quem critica é a oposição". "E quem quer ser oposição tem que estar fora do meu governo."

Novos ministros

Bolsonaro também disse que "está namorado" quatro possíveis novos ministros --até o momento, ele já anunciou quatro integrantes do novo governo: Guedes para a Economia; Sergio Moro para a Justiça e Segurança Pública; Onyx Lorenzoni para a Casa Civil; e Marcos Pontes para a Ciência e Tecnologia.

Os cotados que "estão no forno", segundo palavras do próprio presidente, seriam para para as pastas da Agricultura, do Meio Ambiente, da Infraestrutura (que abarcará Transportes) e das Relações Exteriores.

O pesselista revelou que pretende se mudar definitivamente para Brasília entre o Natal e o Réveillon, semanas depois de passar por uma nova cirurgia para retirada da colostomia (marcada originalmente para o dia 12 de dezembro).

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