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Bolsonaro diz que pretende anunciar ministério completo até fim do mês

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

06/11/2018 15h31Atualizada em 06/11/2018 20h41

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta terça-feira (6) que pretende anunciar até o final deste mês seu ministério completo e que sua ideia é colocar pessoas competentes de cada área e patriotas nos cargos.

Ao sair de reunião no comando da Marinha, Bolsonaro disse a jornalistas que o general Augusto Heleno, indicado para ser titular do Ministério da Defesa, pode ser nomeado para o Gabinete de Segurança Institucional, que fica dentro do Palácio do Planalto.

"Quem é que pode se dar ao luxo de se privar da companhia de uma pessoa como o general Heleno ao seu lado? No que depender de mim, ele virá para o GSI, mas a Defesa está aberta para se ele achar que é melhor", afirmou Bolsonaro.

Até o momento, outros quatro ministros foram anunciados por ele: o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), para a Casa Civil; o economista Paulo Guedes, para a Economia; o astronauta Marcos Pontes, para Ciência e Tecnologia; e o juiz federal Sergio Moro, para Justiça e Segurança Pública.

 “Tem quatro nomes [de futuro ministros] bastante avançados. É como em um casamento, os dois têm que dizer ‘sim’ no altar. É muito chato anunciar você e amanhã você não querer ou eu não querer”, respondeu Bolsonaro ao ser questionado sobre os nomes que podem entrar no seu governo.

Minha preocupação é amadurecer os nomes e que os possíveis escolhidos se inteirem do que está acontecendo, porque é uma tremenda responsabilidade. Nós não podemos indicar alguém, anunciar, e depois haver um imprevisto

Ele afirmou que há quatro ministeriáveis bastante avançados, que podem ser anunciados até quinta (8) ou sexta-feira (9) desta semana. Os nomes serão para as pastas de Cultura, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Infraestrutura.

Segundo Bolsonaro, o número final de ministérios pode "chegar a 17" --dois a mais do que foi prometido durante a campanha. Atualmente, o governo do presidente Michel Temer (MDB) tem 29 pastas.

Ele afirmou que as negociações mais avançadas são com os futuros titulares das pastas de Agricultura, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Infraestrutura, e que pode divulgar um nome até sexta-feira (9).

O deputado federal explicou ainda que quer finalizar a montagem do ministério antes da cirurgia que deve fazer para retirar a bolsa de colostomia, prevista para o dia 12 de dezembro.

"Eu vou ficar uma semana ‘baixado’ no hospital e daí já começa Natal e Ano Novo. Nós não podemos esperar para decidir aos 45 [minutos] do segundo tempo. E o indicado tem que fazer também uma adaptação [...] e tem que chegar em condições a partir de 2 de janeiro", declarou.

Ele reafirmou ainda que a tendência atual é não haver mais uma fusão entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como ele propôs durante a campanha.

"Não é que a gente está recuando e isso é sinal de fraqueza. Acho que é engrandecimento. Se somos convencidos do contrário, e se o próprio setor do agronegócio que queria e agora tem uma certa divisão, vamos buscar realmente fazer o melhor", declarou.

Na última terça-feira (30), Onyx Lorenzoni chegou a anunciar a junção das duas pastas após uma reunião com o presidente eleito e sua equipe, mas no dia seguinte o ruralista Nabhan Garcia disse que a fusão podia não acontecer.

Bolsonaro também sugeriu que vai indicar para comandar o Ministério das Relações Exteriores alguém do próprio Itamaraty. Ainda de acordo com o presidente eleito, ser ministro no seu governo exigirá "uma cota de sacrifício muito grande".

Reforma da Previdência

O deputado federal disse ter conversado "rapidamente" com Temer nesta manhã, durante solenidade no Congresso para celebrar os 30 anos da Constituição Federal, sobre a possibilidade de aprovar uma parte da reforma da Previdência proposta pelo emedebista ainda esse ano. Os dois têm reunião marcada para a tarde desta quarta-feira (7), no Palácio do Planalto.

"O que a gente puder salvar dessa reforma, a gente salva. A melhor reforma não é a que eu quero ou a que a minha equipe econômica quer, é aquela que passa na Câmara e no Senado", declarou.

Questionado se vai se empenhar pessoalmente para a aprovação da proposta em tramitação no Congresso, ele disse que sim e lembrou que é deputado. "Em se colocando em votação, eu vou por meu voto no painel", anunciou.

O presidente eleito afirmou que a idade mínima aprovada na reforma "não precisa ser os 65 [anos] agora". "Se a gente conseguir os 62, é um grande passo. A conclusão a que toda equipe chegou é de que não podemos terminar este ano em dar um passo sequer", disse.

Mulheres no governo e “ministério da Família”

Ao ser indagado se nomeará alguma mulher para o seu ministério, Bolsonaro rebateu com um questionamento: "Você quer perguntar se vai ter algum homossexual? Eu não sei", declarou, rindo em seguida.

"Por exemplo, dos cinco que já temos definidos, é o caso tirar um desses para colocar uma mulher no lugar dele só porque é mulher? Tem 10, 12 vagas em aberto. Pode ser, pode ter. Com toda certeza vai ter", respondeu, demonstrando contrariedade.

Nesta segunda-feira (5), foram divulgados os nomes dos primeiros 27 integrantes da equipe de transição escolhidos por Bolsonaro --todos homens.

Bolsonaro disse ainda que não acredita que haverá um "Ministério da Família", como foi aventado nos últimos dias. A suposta pasta seria comandada pelo senador Magno Malta (PR-ES), que não foi reeleito esse ano.

"Mas questão da família é importante, fez parte do nosso projeto, do que eu falei no Brasil todo ao longo dos últimos de quatro anos, e a família tem que ser preservada. E a família para mim é aquela que está prevista no artigo 226, parágrafo 3º da Constituição", declarou.

O trecho citado por ele diz que "para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento".

Questionado se Magno Malta será ministro, Bolsonaro disse apenas que "é possível".

Dia de reuniões

Após o encontro no comando da Marinha, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), se reuniu com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, no Quartel General da Força, em Brasília. Ele entrou e saiu do QG por meio de portão privativo subterrâneo.

Nesta terça, ele também visitou o comandante da Marinha e o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna. Para esta quarta (7), Bolsonaro tem previsto um café da manhã com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato.

Cerca de 20 militares do Exército esperaram Bolsonaro na recepção principal do complexo com celulares à mão para vídeos e fotos na esperança de que ele desse uma entrevista e falasse com os demais presentes. Apesar da estrutura montada, Bolsonaro não deu declarações após o encontro. Depois dos compromissos, o presidente eleito seguiu para o apartamento funcional dele.

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