Operação Lava Jato

Lava Jato cita mãe e amante de deputados em esquema de corrupção na Alerj

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Bruna Prado/UOL

    14.fev.2018 - Chiquinho da Mangueira acompanha a apuração das escolas de samba do Rio

    14.fev.2018 - Chiquinho da Mangueira acompanha a apuração das escolas de samba do Rio

O deputado estadual reeleito Chiquinho da Mangueira (PSC) utilizou a própria mãe, Maria Celeste Ferreira de Oliveira, para receber envelopes com dinheiro de propina, segundo investigações da Lava Jato no Rio. O parlamentar, um dos dez deputados detidos nesta quinta-feira (8) na Operação Furna da Onça, levou mais de R$ 3 milhões em um complexo esquema de corrupção que vigorou na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) sob liderança ativa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), segundo o MPF (Ministério Público Federal).

Na engrenagem criminosa, deputados se valiam de vantagens ilícitas como propina (pagamentos mensais) e loteamento de cargos em órgãos do governo para, no Parlamento, defender interesses do grupo chefiado por Cabral --que envolve ex-secretários de estado e agentes públicos--  e atuar em favor de empresas que financiavam a corrupção. No total, o esquema movimentou R$ 54,5 milhões, segundo estima a Lava Jato.

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Além de Chiquinho da Mangueira, seis parlamentares foram presos na manhã de hoje: André Correa (DEM), Coronel Jairo (SD), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius Neskau (PTB).

Caciques do MDB no Rio, Jorge Picciani (presidente afastado da Alerj), Paulo Melo (ex-presidente da Casa) e Edson Albertassi (ex-líder do governo) já haviam sido detidos no ano passado na Operação Cadeia Velha (da qual a Operação Furna da Onça é um desdobramento). Picciani cumpre prisão domiciliar desde março.

Os investigadores da Lava Jato também descobriram que, durante o exercício do mandato, Marcos Abrahão (deputado reeleito) conseguiu nomear a amante, cuja identidade não foi divulgada, como coordenadora em uma unidade da Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica). A informação foi obtida por meio de interceptação telefônica autorizada pela Justiça.

Abrahão é suspeito de receber ao menos R$ 840 mil entre 2012 e 2014 --segundo as investigações, por intermédio de sua chefe de gabinete, foram efetuados 15 pagamentos, sendo dez de R$ 20 mil e cinco em valores não especificados. A reportagem ainda não conseguiu localizar a defesa do parlamentar do Avante.

Mãe de deputado desconhecia esquema, diz delator

O rastreamento feito pela Lava Jato aponta que, entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, foram realizados seis pagamentos, todos de R$ 500 mil, em favor de Chiquinho da Mangueira por meio de operadores financeiros de Sérgio Cabral.

Documentos obtidos pelos investigadores mostram que os recursos foram entregues em nome de "Chiquinho", "Celeste/Chiquinho", "Chiquinho ou Celeste" ou "Chiquinho/Celeste", de acordo com os registros do sistema financeiro clandestino dos doleiros Cláudio Barbosa (Tony) e Vinicius Claret (Juca Bala), que trabalhavam para o ex-governador.

O codinome "Celeste" diz respeito a Maria Celeste, mãe de Chiquinho da Mangueira. A informação foi corroborada pela delação premiada de Sergio de Castro Oliveira, o Serjão, um dos operadores de Cabral. O delator afirma que Celeste, no entanto, "não conhecia o teor dos pacotes que lhe eram entregues".

Reprodução
Trecho da petição apresentada à Justiça pelo MPF (Ministério Público Federal) da 2ª Região

A investigação descobriu ainda outros quatro pagamentos em nome de "Celeste', com valor mensal de R$ 20 mil, realizados depois que Cabral renunciou ao cargo do governador em abril de 2014. O MPF conclui que, em troca de apoio político na Alerj, Chiquinho recebeu cerca de R$ 3,4 milhões em propina e doações eleitorais feitas por Cabral no ano de 2014.

Segundo o MPF, parte do dinheiro ilícito foi usada pelo deputado para custear o desfile daquele ano da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, da qual o parlamentar é presidente. Trata-se de uma das mais tradicionais agremiações do Carnaval carioca.

A Lava Jato também identificou que os pagamentos destinados a Chiquinho eram feitos em espécie em uma casa na rua Visconde de Abaeté, em Vila Isabel, na zona norte carioca, "ao lado" da residência da mãe do deputado. Na versão de Serjão, por orientação do próprio parlamentar, os envelopes eram lacrados "a fim que ela [Celeste] não conseguisse perceber qual era o conteúdo".

Por meio de sua assessoria, Chiquinho afirmou que as suspeitas contra ele são "infundadas e totalmente inverídicas". Segundo o advogado Pablo Andrade, a medida foi "completamente desarrazoada e ficará demonstrado que não houve qualquer ato ilícito praticado pelo deputado".

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