Bolsonaro diz que seu governo terá acesso antes às questões do Enem

Do UOL, em Brasília

Bolsonaro critica ideologia de gênero e questão do Enem

Em pronunciamento feito ao vivo por meio de redes sociais, na noite desta sexta-feira (9), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a criticar questões feitas no Enem deste ano e afirmou que, em sua gestão, o governo passará a ter acesso antes às questões da prova.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela prova, para garantir o sigilo do exame, "apenas o Inep e parte da equipe da Gráfica contratada pelo Instituto têm acesso à prova em ambientes restritos dentro do Inep e da Gráfica". Ainda segundo o órgão, "todo processo de produção da prova conta com consultoria especializada de empresas de gestão de riscos que atestam a conformidade das etapas e indicam procedimentos que devem ser seguidos com vistas à manutenção do sigilo". 

Bolsonaro fez a afirmação ao comentar a prova do último domingo (4) do Enem, que trouxe uma pergunta sobre o "dialeto secreto" utilizado por gays e travestis. A prova mostrou um texto sobre o "pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis" e questionava os estudantes sobre os motivos que faziam a linguagem se caracterizar como "elemento de patrimônio linguístico". Professores ouvidos pelo UOL defenderam a questão formulada no exame.

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O pesselista criticou a questão abordando o mundo LGBT e disse que, no seu governo, o Enem não terá questões de teor semelhante. "Não vai ter questão dessa forma no ano que vem porque nós teremos acesso à prova antes", prometeu.

Em seu site, o Inep afirma que as questões são retiradas do Banco Nacional de Itens (BNI), que contém perguntas elaboradas e revisadas por colaboradores do Inep ao longo de vários anos. A composição das diferentes provas é feita por um pequeno grupo de servidores do Inep e colaboradores, que têm acesso a um local de segurança máxima, sendo a entrada permitida apenas após a realização de vários procedimentos de checagem (clique aqui para saber mais sobre como é feita a prova).

'Quem ensina sexo é papai e mamãe'

Além de criticar a questão do Enem, Bolsonaro voltou a citar o combate à educação sexual nas escolas. "Quem ensina sexo é papai e mamãe e acabou, ponto final, não precisamos discutir esse assunto", afirmou. Em sua avaliação, a maioria dos brasileiros "quer isso". 

O presidente eleito disse que deve anunciar em breve o nome do futuro ministro da Educação e que ele precisa entender que o Brasil é um "país conservador".

Precisamos de um ministro [da Educação] que entenda que nós somos um país conservador
Jair Bolsonaro 

O futuro presidente disse que também deverá anunciar os nomes escolhidos para comandar as pastas do Meio Ambiente, da Saúde e de Relações Exteriores. Até o momento, seis nomes estão confirmados em sua gestão: Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Sergio Moro (Justiça) e Tereza Cristina (Agricultura).

Crítica a ambientalistas

Ao divulgar que deve definir o ministro do Meio Ambiente na próxima semana, o presidente fez críticas a ambientalistas, lamentando as contestações que vem enfrentando de parte do setor e o que chamou de "indústria da multa" contra o agronegócio.

Eu quero ver vocês (ambientalistas) trabalhando de verdade...Vocês do meio ambiente não sabem o que é produzir, muitos de vocês, não sabem o quanto é difícil ser agricultor no Brasil, ser produtor rural, e vai lá meter a caneta nos caras
Jair Bolsonaro criticando atuação de ambientalistas

O presidente eleito defendeu a indicação da deputada Tereza Cristina (DEM-MS) para o Ministério da Agricultura, dizendo que buscou um nome que representasse o setor produtivo e conhecesse as demandas do setor. "Lamento que o outro colega andou se excedendo", disse, sem citar nomes.

Cotado para a vaga, o presidente da UDR (União Democrática Ruralista), o ruralista Luiz Antonio Nabhan Garcia, criticou a escolha em declaração ao UOL. Garcia afirmou ser amigo de quase 30 anos de Bolsonaro, tê-lo apoiado em toda a campanha, e disse que a escolha foi a vitória da "força do poder político". 

Nesta sexta, Bolsonaro afirmou que, se fosse escolher alguém pelo tempo de convivência, escolheria a mãe.

Coloco a minha mãe. Ela está comigo há mais tempo
Jair Bolsonaro, sobre escolha de ministros 

Reajuste do STF é com Temer

No vídeo em que se comunicava diretamente com seus seguidores, Bolsonaro também disse não ter tido responsabilidade sobre o aumento dos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do procurador-geral da República (PGR), que foi aprovado pelo Senado na última quarta (7).

Deixo bem claro: eu não sou o presidente da República. Estão botando na minha conta o reajuste do Judiciário, como se eu tivesse poderes para impedir. Eu dei minha opinião, que era inoportuno, mas a decisão não é minha, a decisão está nas mãos do presidente Michel Temer, se vai sancionar ou vai vetar. Ainda não sou o presidente
Jair Bolsonaro, sobre reajuste do STF

O presidente eleito voltou a criticar a reação da imprensa à decisão do governo do Egito de suspender uma visita do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, depois de Bolsonaro ter anunciado a intenção de mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

"Pelo amor de Deus, vai dar bola para isso? Quem decide a capital de Israel é o Estado de Israel. O Brasil não mudou a capital do Rio para Brasília? Teve algum problema? Quem decide somos nós", disse. "Daí vem a imprensa: ele está criando trapalhadas internacionais", disse.

Na terça (6), após o anúncio do governo egípcio, o presidente eleito afirmou que ainda não havia uma decisão definitiva sobre a mudança da embaixada.

Segundo Bolsonaro, essa não foi a reação que ele obteve nos encontros com embaixadores de outros países que já se reuniram com ele após as eleições. "Fui muito bem recebido, conversas maravilhosas com todos os países, o pessoal tem visitado aqui em casa, [conversas] de fortalecimento dos laços de amizade, comerciais", afirmou.

Propostas para a Previdência

Ele voltou a criticar a imprensa ao negar ter concordado com as propostas para a reforma da Previdência que sugerem aumento do tempo de contribuição e da alíquota dos trabalhadores.

"A imprensa quis botar na minha conta 40 anos para se aposentar de forma integral, não tenho nada a ver com isso. É proposta que está lá na Câmara ou tá lá no governo para passar de 11% para 22% o desconto previdenciário", disse. "Nós não podemos falar em salvar o Brasil quebrando o trabalhador."

Ele disse que não quer que o Brasil siga o exemplo da Grécia, que precisou reestruturar a Previdência após a crise financeira no início desta década.

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