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Bolsonaro anuncia Luiz Henrique Mandetta como ministro da Saúde

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília*

2018-11-20T15:19:19

20/11/2018 15h19

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou nesta terça-feira (20) que o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) será o novo ministro da Saúde.

Democratas - 6.abr.2017/Divulgação
Mandetta é o 10ª nome anunciado para o próximo governo e o terceiro ministro do Democratas Imagem: Democratas - 6.abr.2017/Divulgação
Médico com especialização em ortopedia, Mandetta é o terceiro nome do DEM a ser anunciado como ministro do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Antes deles, foram anunciados os nomes de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Tereza Cristina (Agricultura).

Em entrevista coletiva, Bolsonaro disse que Mandetta não foi uma indicação do DEM, mas uma indicação do setor da saúde. 

O presidente eleito recebeu na tarde de hoje parlamentares da Frente Parlamentar da Saúde, representantes das associações das Santas Casas e outras associações médicas que apoiam o nome do deputado do Mato Grosso do Sul como ministro. 


O deputado vinha sendo cogitado para a pasta, mas não havia sido confirmado pela revelação de que estaria sendo investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico quando era secretário de Saúde em Campo Grande (MS), sua cidade natal.

Auditoria feita pela CGU (Controladoria-Geral da União) em 2014 apontou que, apesar de o pagamento estar praticamente finalizado, o sistema contratado não havia sido instalado nas unidades de saúde. O caso estava no STF (Supremo Tribunal Federal), mas foi remetido à Justiça Federal do estado depois da decisão do STF sobre a restrição do foro privilegiado a parlamentares.

O apoio das bancadas e o não surgimento de novas denúncias podem ter levado à confirmação de Mandetta. Ele está em seu segundo mandado como deputado federal, mas decidiu não tentar a reeleição.

Nomeação após Cuba sair do Mais Médicos

O anúncio de Mandetta para o Ministério da Saúde acontece em meio à polêmica causada pela saída de Cuba do programa Mais Médicos, anunciada pelo governo cubano no último dia 14. Em comunicado, as autoridades cubanas afirmaram que a saída foi uma resposta às propostas de mudanças consideradas “inaceitáveis” pelo país

Mandetta foi crítico ao programa Mais Médicos desde seu lançamento, em 2013. Durante os debates na Câmara sobre a medida provisória para a implantação do programa, o futuro ministro disse que a iniciativa era "eleitoreira" e "uma farsa, um engodo". 
Três anos depois, nas discussões da MP que prorrogou o programa, o deputado federal disse que o governo de Dilma Rousseff (PT) queria "continuar trazendo médico sem avaliar se ele está preparado para atender ao paciente", em vez de capacitar e remunerar profissionais brasileiros.

Posição também defendida por Jair Bolsonaro (PSL), que faz críticas ao programa desde que eleito. Segundo ele, para que profissionais cubanos pudessem continuar atuando no país, eles deveriam se submeter ao processo de revalidação do diploma médico (Revalida), ter a possibilidade de trazerem suas famílias ao país e receber o salário integral pago pelo governo brasileiro.

Atualmente, aproximadamente R$ 3.000 do salário de R$ 11 mil dedicado ao profissional fica com o médico. O restante é repassado diretamente ao governo cubano.

Nesta terça, foi publicado o edital em caráter emergencial do programa Mais Médicos. Em princípio, poderão se inscrever médicos que tenham registro junto a algum CRM (Conselho Regional de Medicina) ou diploma estrangeiro revalidado no Brasil. Foram ofertadas 8.517 vagas para atuação em 2.824 municípios e 34 áreas indígenas.

*Com informações da agência Reuters

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