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Ex-governador Gerson Camata é assassinado em Vitória

Tonico/Ales
O ex-governador do Espírito Santo Gerson Camata Imagem: Tonico/Ales

Guilherme Azevedo e Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

2018-12-26T18:17:33

26/12/2018 18h17

Gerson Camata, 77, ex-governador do Espírito Santo, foi assassinado com um tiro na tarde desta quarta-feira (26) na Praia do Canto, em Vitória. O secretário estadual da Segurança Pública do Espírito Santo, coronel Nylton Rodrigues, informou que o autor do homicídio é Marcos Venicio Moreira Andrade, 66, ex- assessor que trabalhou com o político por cerca de 20 anos. Andrade era o responsável pela gestão financeira das campanhas e mandatos de Camata. 

Divulgação/Polícia Civil
Marcos Venicio Moreira Andrade, 66, foi ex-assessor de Camata por cerca de 20 anos Imagem: Divulgação/Polícia Civil
O ex-assessor foi preso no local do crime por policiais e confessou o disparo. Segundo Rodrigues, a motivação foi uma ação judicial movida pelo ex-governador contra o ex-assessor, que resultou no bloqueio de R$ 60 mil da conta de Andrade.

Camata foi atingido por um único disparo, no pescoço, e a arma, segundo o secretário, não tinha registro.

"A motivação desse lamentável crime é uma ação judicial movida pelo nosso ex-governador", disse Rodrigues. "Hoje, o ex-assessor foi tirar satisfação ao encontrar Gerson Camata na rua, próximo a uma padaria e a uma banca. Nesse encontro, iniciou-se uma discussão verbal, até que Marcos sacou uma arma e efetuou o disparo que vitimou o nosso ex-governador." 

Segundo a Polícia Civil, Andrade foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por motivo torpe e dificultar a defesa da vítima. Ele será encaminhado na quinta-feira (27) pela manhã para o Centro de Triagem de Viana (CTV).

Por meio das redes sociais, o presidente Michel Temer (MDB) lamentou a morte e disse que perde um amigo: "Lamento a morte do grande político, ex-jornalista, deputado estadual, deputado federal, senador constituinte, governador do Espírito Santo e meu amigo, Gerson Camata. Envio meus sentimentos de sincero pesar à esposa, ex-deputada Rita Camata, e aos filhos".

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (MDB), decretou luto por sete dias e frisou a importância histórica de Camata: "Gerson foi o primeiro governador eleito no nosso estado no período de redemocratização do país. Fez um governo realizador e que entrou para a história dos capixabas. O Espírito Santo perde uma de suas principais lideranças".

O governador eleito do estado, Renato Casagrande (PSB), se disse "consternado com o brutal assassinato": "Lamentável que um homem como ele, que tanto contribuiu para o desenvolvimento do nosso estado, tenha perdido a vida de forma tão trágica. Nos despedimos hoje, com muita tristeza, desse líder carismático e agregador".

Outras repercussões

Geraldo Alckmin (SP), presidente nacional do PSDB: "O PSDB lamenta profundamente a morte trágica do ex-governador Gerson Camata. Um homem íntegro que lutou pelas grandes causas em benefício do país, e em especial, do Espírito Santo. Esperamos que os fatos sejam apurados e esclarecidos o quanto antes, e que os suspeitos sejam punidos por esse crime brutal. Nos solidarizamos com a nossa querida Rita Camata e toda a sua família e amigos neste momento de profunda dor".

João Doria Jr. (PSDB-SP), governador eleito de São Paulo: "Minha total solidariedade à família do ex-senador e governador do Espírito Santo, Gerson Camata, por sua trágica morte. O Brasil perde um grande líder. Que Deus os conforte e que o assassino seja punido com rigor".

José Serra (PSDB-SP), senador: "Fiquei chocado com o assassinato de Gerson Camata, um político que sempre honrou seus mandatos e serviu exemplarmente ao seu estado e ao país. Sempre tive com ele uma relação política amistosa e produtiva. Sua morte estúpida enche a nós todos de muita tristeza. A toda sua família nosso mais sentido pesar".

Eunício Oliveira (MDB-CE), presidente do Senado: "Recebemos com muita tristeza a notícia da morte do ex-senador Gerson Camata, que por 24 anos representou, com destaque, o Espírito Santo no Senado Federal, depois de construir sólida carreira política como vereador, deputado estadual e governador. Nossa solidariedade aos seus familiares, amigos e ao povo capixaba".

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados: "Recebo com tristeza e consternação a notícia da morte trágica do ex-governador do Espírito Santo e ex-senador Gerson Camata, um homem público que prestou grande serviço ao Espírito Santo, ao Parlamento e ao Brasil. Presto minha solidariedade aos capixabas, à família e amigos".

Vida política de Camata

O político nasceu em Castelo (ES) no dia 29 de junho de 1941, filho de Higino Camata e de Júlia Bragato Camata. Sua formação inicial se deu em colégios católicos. 

Formado em economia pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), Camata iniciou sua carreira profissional como jornalista e apresentador de um programa na Rádio Cidade de Vitória, então pertencente aos Diários Associados.

Com a popularidade adquirida, lançou-se e elegeu-se vereador para a Câmara Municipal de Vitória em 1967, pela Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido político de sustentação do regime militar (1964-85). Também pela Arena, elegeu-se deputado estadual para a legislatura 1971-75. 

Em 1975, tornou-se deputado federal pelo partido e, com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). 

Governou o Espírito Santo de 1983 a 1986 e foi senador em três oportunidades, de 1987 a 1995, de 1995 a 2003 e de 2003 a 2011. Foi o primeiro governador do estado eleito diretamente durante a abertura política vivenciada nos últimos anos da ditadura militar.

Camata era casado com a também política Rita Camata desde 1981. Filiada ao MDB, a mulher foi deputada federal e candidata a vice-presidente da República na chapa com José Serra (PSDB), em 2002.

Em pronunciamento no Senado, em 16 de dezembro de 2010, Camata se despediu da vida pública, após 44 anos de contribuição, de vereador a governador. 

Deixo a vida política com a consciência tranquila, de quem cumpriu seu dever. Se há algo de que me orgulho é de nunca ter encontrado dificuldades para conciliar ética e política. É impossível negar a existência de vínculos entre a vida moral e a vida no poder, pois, se o fizermos, acabaremos concluindo que os fins justificam os meios.

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