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Filha de jurista, surda e indígena comandarão secretarias de Damares

Bolsonaro escolhe Damares Alves para Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos - Pedro Ladeira/Folhapress
Bolsonaro escolhe Damares Alves para Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Juliana Linhares

Do UOL, em Brasília

02/01/2019 15h48Atualizada em 02/01/2019 17h28

A ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, a ser empossada às 17 horas, anunciará na solenidade o nome de quem cuidará de oito secretarias de seu ministério. Três desses nomes são: Priscila Gaspar de Oliveira, Sandra Terena e Angela Gandra.

Priscila Oliveira é surda e ligada à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela cuidará da Secretaria Nacional das Pessoas com Deficiência. Priscila é graduada em letras e libras pela UFSC e é professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Durante a campanha eleitora, ela participou de live (transmissão ao vivo) no Facebook ao lado de Bolsonaro e Michelle.

Sandra Terena será secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Ela e Damares são próximas há muitos anos. Em 2009, Sandra, que tem ascendência indígena, ficou conhecida pelo documentário "Quebrando o Silêncio", sobre a prática do infanticídio nas comunidades indígenas. Naquele ano, ela foi vencedora do prêmio Internacional Jovem da Paz devido ao filme.

Angela Gandra é filha do jurista Ives Gandra Martins. O nome do advogado voltou aos holofotes nos últimos anos por causa de seus ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Angela será secretária Nacional da Família. Ela é doutora em filosofia do Direito e professora na CEU Law School, de São Paulo. Em agosto deste ano, foi uma das expositoras na audiência pública do STF que debateu a legalização do aborto. Angela se posicionou contrária à ação. 

Bolsonaro confirmou o medo de indigenistas e indígenas, em um de seus primeiros atos na presidência: desidratou a Funai, destinando ao Ministério da Agricultura uma das atividades centrais da organização nas últimas três décadas, a identificação, demarcação e delimitação das terras indígenas.

Poucas horas depois da posse, o presidente operou a mudança por meio de uma medida provisória. A novidade foi divulgada no Diário Oficial da última terça-feira, dia 1.

O Ministério da Agricultura passa a ser comandado por Teresa Cristina, uma líder ruralista e deputada federal pelo Mato Grosso do Sul.

Outro temor de ambientalistas e indígenas diz respeito à política de aproximação com índios isolados. Bolsonaro e Damares já deram sinalizações de que pretendem alterar a diretriz aplicada até agora pela Funai, que era a de não contato. A ministra já declarou que deseja que eles se integrem à sociedade.

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