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Novo ministro critica "marxismo cultural" nas escolas: "faz mal à saúde"

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) empossa o colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da Educação, no Palácio do Planalto, em Brasília - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) empossa o colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da Educação, no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Alex Tajra e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

02/01/2019 18h50Atualizada em 02/01/2019 22h41

Em discurso proferido durante sua posse, nesta quarta-feira (2), o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, afirmou que, entre seus objetivos como líder da pasta, estão acabar com o "marxismo cultural" e com a ideologia de gênero nas escolas. "A ideologia globalista passou a destruir um a um os valores culturais que regem o país, família, igreja, Estado, pátria e escola", afirmou o novo ministro.

Para Vélez, Bolsonaro venceu a eleição, pois viajou durante dois anos pelo país ouvindo os anseios dos cidadãos brasileiros. "Jair Bolsonaro prestou atenção à voz de pais e mães reprimidos pela retórica marxista que tomou conta da educação nacional", disse, reforçando ainda que as diretrizes educacionais do ministério serão influenciadas por dois nomes: os conservadores Antonio Paim e Olavo de Carvalho.

Mais tarde, em breve entrevista à imprensa, o ministro chegou a afirmar que o "marxismo cultural" faz "mal à saúde" e é culpado pela falta de autoestima dos professores e pelas notas baixas de alunos brasileiros no exterior. "Ela [falta de autoestima dos professores] decorre dessa massificação [consequência do marxismo]. Vamos tentar reerguer a autoestima do professor acreditando na pessoa", disse.

Vélez não soube dizer se há um cálculo de quantos alunos da rede educacional do país teriam sido impactados pelo "marxismo cultural". "É difícil ter um dado estatístico. Mas a gente enxerga os resultados", disse o colombiano antes de mencionar as supostas notas baixas de brasileiros no exterior.

"O marxismo cultural é uma coisa que faz mal para a saúde. A saúde da mente, do corpo e da alma. Porque secciona o ser humano, o torna massa, o torna coisa. Então, é uma tentativa de buscar uma abordagem cultural que lê a pessoa na sua integralidade, integridade, inteligência e individualidade. Antes de mais nada somos pessoas individualizadas. O marxismo cultural passa a borracha em cima disso e nos considera massa. Nós não somos massa, somos indivíduos."

Vélez foi questionado pela reportagem do UOL sobre quais medidas poderiam ser adotadas --no âmbito do Executivo-- para reprimir o que ele chama de "ideologia de gênero", já que o projeto Escola Sem Partido (apresentado com o mesmo fim no Parlamento) foi derrotado e arquivado na Câmara.

"O fundamental é direcionar a educação para o que ela deve ser: crescimento da pessoa. Dar a crianças, jovens, adolescentes e adultos a possibilidade de crescimento. E isso não se faz com doutrinação ideológica", respondeu ele.

Ensino básico e superior

Durante seu discurso, Vélez reiterou que o governo Bolsonaro vai privilegiar os investimentos em educação básica e que as gestões das universidades, principalmente as públicas, têm de ser repensadas. "Nossa prioridade será a educação básica", afirmou o ministro, citando ainda que a sociedade vai entender naturalmente o valor da educação para o desenvolvimento do país.

"Vamos trabalhar na formulação de políticas públicas que sejam eficazes para combate ao analfabetismo, ampliação das creches e da pré-escola, gestão e funcionamento das escolas, ingresso e conclusão dos estudantes na idade certa, inovação com mídias e tecnologias e pesquisas que efetivamente subsidiem essas políticas", disse Vélez, pontuando as suas perspectivas para a pasta.

Vélez ainda citou os professores em seu discurso, fazendo referência à valorização dos profissionais da educação, sem entrar em detalhes, e citou uma maior integração nos processos de pesquisa do ensino superior público. "Precisamos melhorar a tríade ensino, pesquisa e extensão. Nas universidades públicas, precisamos de gestões mais eficazes, alinhando os cursos oferecidos com as demandas sociais e do mercado", disse Vélez. 

Antes do discurso do novo ministro, o antigo ocupante da pasta, Rossieli Soares, criticou duramente as gestões nas universidades públicas e defendeu a privatização do setor. "São instituições amarradas ao passado. As universidades precisam receber receitas próprias, precisamos pensar nisso, elas não podem mais depender do orçamento público", afirmou Soares.

O presidente Bolsonaro elogiou as novas medidas de seu novo ministro em post no Twitter, em que ele comenta que terá "o foco oposto de governos anteriores, que propositalmente investiam na formação de mentes escravas das ideias de dominação socialista".

"Corajosa jornada"

Em vários momentos de sua posse o ministro demonstrou sua admiração pelo presidente Jair Bolsonaro. Para Vélez, a eleição do capitão reformado foi uma "corajosa jornada", que começou há cerca de dois anos quando Bolsonaro viajou o país para ouvir pessoas de várias localidades. "Ele quis dar voz àqueles que não eram escutados pela mídia tradicional e pela classe política."

Lembrando a facada em Jair Bolsonaro, em setembro do ano passado, o ministro da Educação acusou os "ameaçados pela pregação moralizante" pelo atentado. "Urdiram num obscuro plano atentando contra sua [de Bolsonaro] vida. Derrubaram um homem, mas levantaram uma nação. Nosso bravo capitão sobreviveu a um cruel atentado e, nos braços do povo que o apoiou, ganhou as eleições presidenciais."

O ministro ainda destacou o "ineditismo dos tempos que começam agora" e fez duras críticas às gestões anteriores. "O ciclo lulopetista delapidou as riquezas nacionais, submergiu o país na maré do desemprego massivo, castigando as famílias de mais de 14 milhões de pessoas [com o desemprego]", afirmou Vélez. "Que Deus nos ajude e que possamos honrar o compromisso que assumimos com o país", disse, concluindo o discurso.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou esta matéria, o presidente Jair Bolsonaro sofreu uma facada em setembro de 2018. A informação foi corrigida,

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