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Após Bolsonaro criticar contrato, presidente do Ibama pede exoneração

09.11.2017 - Suely Araújo na sede do Ibama - Pedro Ladeira/Folhapress
09.11.2017 - Suely Araújo na sede do Ibama Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

07/01/2019 13h23

A presidente do Ibama, Suely Araújo, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (7) após contrato assinado em sua gestão ser alvo de críticas no Twitter pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Procurado pela reportagem do UOL, o Ibama ainda não informou o motivo do pedido de exoneração. Suely deverá ser substituída no cargo pelo procurador da União Eduardo Fortunato Bim, que já foi indicado pelo governo Bolsonaro para chefiar o órgão ambiental, mas ainda não foi nomeado.

No final de semana, Salles e Bolsonaro questionaram um contrato, assinado no mês passado, de R$ 28,7 milhões para aluguel de veículos no Ibama. No domingo (6), o ministro do Meio Ambiente publicou no Twitter a imagem do resumo do contrato publicado no Diário Oficial com a mensagem: "quase 30 milhões de reais em aluguel de carros, só para o IBAMA..."

Em seguida, Bolsonaro replicou a mensagem, elevando o tom da crítica: "Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas. A certeza é: havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação!". 

Minutos depois, Bolsonaro apagou a postagem no Twitter.

Suely Araújo rebateu as críticas, por meio de nota divulgada no domingo, afirmando se tratar de "acusação sem fundamento" que "evidencia completo desconhecimento da magnitude" do Ibama e de suas funções.

"As viaturas do Ibama são objeto de um contrato de locação de âmbito nacional. O novo contrato abrange 393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc., nos 27 estados brasileiros, e inclui combustível, manutenção e seguro, com substituição a cada dois anos. A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções", diz trecho da nota divulgada por Suely Araújo na noite de domingo.

No pedido de exoneração, enviado ao ministro do Meio Ambiente, Suely diz que decidiu se afastar do cargo para que o novo governo possa assumir a condução do órgão.

"Considerando que a indicação do futuro presidente do Ibama, sr. Eduardo Bim, já foi amplamente divulgada na imprensa e internamente na instituição ainda em 2018, antes mesmo do início do novo Governo, entendo pertinente o meu afastamento do cargo permitindo assim que a nova gestão assuma a condução dos processos internos desta autarquia", diz trecho do pedido de exoneração.

Suely foi nomeada para o cargo em junho de 2016 no governo Michel Temer (MDB). Urbanista, advogada e doutora em Ciência Política, ela atuava como consultora legislativa da Câmara dos Deputados desde 1991 nas áreas de meio ambiente e legislação ambiental.

O Ibama é uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

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