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Senadores desistem e apoiam Alcolumbre; Renan cita telefonema de Bolsonaro

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

02/02/2019 15h38Atualizada em 02/02/2019 16h21

Os discursos dos seis candidatos à presidência do Senado apontaram que a disputa ficará concentrada entre os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). Em sua fala, Renan tentou se atrelar ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), enquanto Alcolumbre recebeu apoio de senadores que desistiram da disputa

Em sua fala, Renan demonstrou confiança na vitória, dizendo que nunca havia imaginado que, pela quinta vez, seria "guindado" à presidência do Senado. Também disse que nunca enxergou "o poder como um fim em si mesmo". O senador já ocupou a presidência da Casa em outras quatro oportunidades e vinha negando, até dias atrás, que era candidato ao posto.

Renan também mencionou a ligação que recebeu de Bolsonaro. Ele disse que a conversa foi vazada pela Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni (DEM), com quem já teve entreveros. Lorenzoni, durante o discurso de Renan, negou o vazamento e disse que o presidente ligou para todos os candidatos.

Ele ainda anunciou que pretende criar uma Secretaria de Assuntos Constitucionais, para assessorar os parlamentares na tentativa de "barrar qualquer projeto que queira rasgar, na prática, a nossa Constituição". "A democracia não pode conviver com isso. A democracia pode conviver com Onyx porque a democracia é tolerante, mas esse Senado não pode ficar como cocheira de nepotismo cruzado por alguém do Executivo e do próprio Senado, empregando parentes e empregando a família". A mulher de Onyx atua no gabinete de Alcolumbre.

O senador se mostrou favorável à reforma da Previdência, um dos objetivos do governo Bolsonaro. "Evidente que chegou a hora de reformarmos a nossa Previdência", disse, comentando que ela deverá ser "profunda, para valer". "Uma reforma que tenha como princípio o combate ao privilégio".

Ao defender sua presença no comando da Casa, Renan disse que o Senado precisa de alguém que "esteja à altura do enfrentamento institucional que esse momento da vida política do país nos coloca". "Vamos fazer todas as outras reformas", prometeu, em sinalização ao governo.

'Não precisamos mais do mesmo', diz Alcolumbre

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Principal adversário de Renan na disputa, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) fez um discurso em que tentava se apresentar como novidade. "Estou aqui representando o novo", disse.

"Não precisamos mais do mesmo", falou, em referência ao adversário. "Precisamos dar um passo a frente para deixar no passado aqueles que querem se perpetuar no poder. Devemos ser a voz da República e a República é o povo brasileiro. Temos que recuperar nossa imagem pelo exemplo. A expectativa é enorme em relação a nossa atuação."

Para ele, sua candidatura é uma "forma de esperança após ciclos de crises políticas e econômicas".

O discurso de Alcolumbre seguiu a mesma linha do feito por Simone Tebet (MDB-MS), que recebeu elogios do colega. "Você está gigante pela coragem que você tem". Tebet, que chegou a se candidatar para a disputa, renunciou após a fala do senador e declarou apoio à candidatura do democrata.

Concorrente de Renan na disputa dentro do MDB pela indicação do partido à disputa pela presidência, Tebet havia lançado uma candidatura avulsa, o que permitiu que ela discursasse. Em seu pronunciamento, ela fez críticas à decisão do STF de ter derrubado a posição da maioria dos senadores de que a votação à presidência deveria ser aberta. "Hoje, temos uma anomia institucional", disse, indicando que há interferências de um poder no outro. "Decisão judicial se cumpre, mas não necessariamente significa que possamos ficar calados", comentou. 

Senadora Simone Tebet (MDB-MS) decidiu se lançar, mas depois retirou candidatura - Pedro França/Agência Senado
Senadora Simone Tebet (MDB-MS) decidiu se lançar, mas depois retirou candidatura
Imagem: Pedro França/Agência Senado

Ela lembrou que 50 senadores se posicionaram a favor do voto aberto. "Ora, quantas vezes nesse meu mandato eu vi esse regimento ser descumprido de forma democrática, garantindo a soberania do plenário, que vale mais do que a letra fria desse regimento interno".

Para Tebet, o Senado está vivendo "tempos tenebrosos, tristes", em referência à briga entre Renan e Tasso Jereissatti (PSDB-CE). "Estamos tirando o mínimo, o resto que falta de nossa credibilidade."

Também desistente, o senador Major Olímpio (PSL-SP), aliado de Bolsonaro, apontou que seu partido disse que "sua missão estava terminada" no processo de escolha da presidência da Câmara.

O governo, por meio do senador, disse que "precisará de cada um" deles "num esforço para reconduzirmos o nosso país ao que o povo brasileiro quer, espera e merece ter". "Teremos embates, a democracia é isso, mas que não fique nenhuma marca neste momento que possa ser um entrave à construção das mudanças necessárias", comentou.

"Feito, isso, cumprida a minha missão e para não ser o PSL tido como um partido que foi intransigente, eu retiro a minha candidatura, e passo a me alinhar a todos aqueles que querem as mudanças que nosso país precisa", completou Olímpio.

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