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Denúncia que levou a inquérito visou "desgaste político", diz F. Bolsonaro

30.jan.2019 - Flavio Bolsonaro no Congresso Nacional - Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro
30.jan.2019 - Flavio Bolsonaro no Congresso Nacional Imagem: Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio*

06/02/2019 12h51

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) se manifestou nesta quarta-feira (6) sobre investigação remetida pela PF (Polícia Federal) à PGR (Procuradoria Geral da República) por supostos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. Segundo ele, a denúncia que levou à abertura da investigação tinha como objetivo provocar "desgaste político".

O inquérito, revelado pelo jornal "O Globo" e confirmado pela "Agência Estado", tramitava desde março do ano passado na PRE-RJ (Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) e apurava suposto crime eleitoral praticado por Flávio ao declarar imóveis comprados por meio de "negociações relâmpago" ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com valores supostamente abaixo do real.

No inquérito, há ainda a citação de que as negociações teriam resultado em aumento do patrimônio do atual senador. A investigação cita também possível lavagem de dinheiro.

Esta investigação corre em paralelo a outra que tramita no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e investiga movimentações atípicas identificadas em uma das contas de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio, pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Queiroz teria movimentado R$ 7 milhões em um período de três anos, quando era lotado no gabinete do então deputado estadual pelo Rio e recebia um salário de R$ 23 mil.

De acordo com nota divulgada hoje pelo senador, "a denúncia desprovida de fundamentação foi feita por um advogado ligado ao PT com o único intuito de provocar desgaste político a seus adversários. No âmbito estadual ela foi arquivada e, com absoluta certeza, também terá o mesmo destino no âmbito federal".

Em novembro, a PRE-RJ havia encaminhado a investigação para a PF (Polícia Federal) para que fossem cumpridas diligências para apuração dos fatos, entre elas, a oitiva de Flávio. À época, o prazo estipulado pela procuradoria para o cumprimento dessas medidas investigatórias era de 60 dias.

No documento em que enviou, ainda em novembro de 2018, para a PF, a PRE-RJ afirma que, como Flávio havia sido eleito senador, após os 60 dias era necessário o envio do inquérito à PGR para analisar a possível existência de foro por prerrogativa de função.

Com o recebimento do inquérito, a PGR irá agora analisar se o caso permanece no Rio ou se passa a tramitar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O jornal "Estado de S. Paulo" apurou que, em um primeiro momento, a expectativa é que seja utilizada a nova interpretação do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu o foro apenas a crimes praticas durante o mandato. Com isso, o caso voltaria à 1ª instância.

Toda a investigação tem relação com as transações imobiliárias de Flávio Bolsonaro. Em reportagem de janeiro, o jornal "Folha de S.Paulo" revelou que o senador eleito realizou 19 operações envolvendo imóveis na zona sul do Rio e na Barra.

Em um dos casos, de um imóvel no bairro de Laranjeiras, o primogênito do presidente declarou à Justiça Eleitoral, em 2016, que o valor era de R$ 846 mil. Entretanto, na escritura, no fim do mesmo ano, o valor registrado foi de R$ 1,7 milhão.

*Com Estadão Conteúdo

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