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Auxiliares de Bolsonaro defendem que presidente coloque limites aos filhos

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O presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo embarcam em avião da Força Aérea em janeiro Imagem: Divulgação

Luciana Amaral e Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

2019-02-15T20:12:35

2019-02-15T20:16:55

15/02/2019 20h12Atualizada em 15/02/2019 20h16

O desenrolar em público das críticas de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL) - que teria autorizado verba pública nas eleições a candidatos laranjas -, deixou auxiliares do mandatário preocupados com a intromissão da prole em assuntos do governo federal.

Na avaliação de assessores ouvidos pelo UOL, agora que recebeu alta médica, voltou a Brasília e retornará a se dedicar à rotina, Jair Bolsonaro precisa chamar os filhos para conversar e delimitar a influência de cada um.

Para estes interlocutores, a atitude de Carlos publicar um áudio do pai no Twitter e intensificar a fritura de um ministro de Estado - ainda mais um tão próximo do presidente quanto Bebianno - é inadmissível e demonstra imaturidade tanto do próprio Bolsonaro quanto do filho. Isso porque a publicação do áudio chegou a ser compartilhada pelo presidente.

"Claro que, num início de governo, você está se adaptando ao cargo e vai aprendendo a conduzir os percalços internos, mas não pode deixar desenvolver uma crise dessas. Nem incentivá-la publicamente", afirmou um assessor.

Carlos Bolsonaro divulga áudio do pai com Gustavo Bebianno

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Auxiliares concordam ser hora de Bolsonaro chamar os filhos para conversar e adverti-los de que cada um deve se ater aos respectivos trabalhos: Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no Senado, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na Câmara dos Deputados e Carlos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Segundo apurou o UOL, Carlos e Eduardo são desafetos de Bebianno desde a campanha eleitoral. Outros integrantes do círculo íntimo de Bolsonaro que hoje despacham do Planalto também já se desentenderam com o atual ministro. O problema, de acordo com auxiliares sem envolvimento com o núcleo duro da época de campanha do presidente, é que os atritos permanecem.

"Estamos meio que sem saber o que fazer. Ninguém esperava essa crítica explícita do Carlos e muito menos do presidente. Agora todos estão de olho, porque, se ele [Bolsonaro] fez isso com o Bebianno, o que ele pode fazer com os outros?", disse outro assessor à reportagem.

A fim de tentar colocar um ponto final na crise, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional e um dos principais conselheiros de Bolsonaro, general Augusto Heleno, foi escalado para pedir maior reflexão ao presidente, apurou o UOL

Desde que chegou a Brasília, na quarta (13), eles se encontram três vezes a sós no Palácio da Alvorada, fora outras reuniões das quais participaram com outras pessoas.

"Acho que ele vai pedir mais calma ao presidente. Mostrar as consequências de ficar colocando lenha na fogueira e as implicações de uma crise para o restante do trabalho do governo, ainda mais com menos de dois meses de mandato", disse um assessor do Planalto.

Em visita a Sorriso (MT) na manhã de hoje, ao ser questionado se os filhos de Bolsonaro deveriam "falar menos", o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), respondeu ter certeza que o presidente iria "botar ordem na rapaziada dele".

"Essas questões aí são questões internas. [...] Os filhos são um problema de cada família. Eu tenho certeza que o presidente, em momento aprazado, correto, vai botar ordem na rapaziada dele", declarou.

Indagado se acreditava que Bolsonaro e Bebianno iriam conversar após o gelo que este estava levando, ele disse que sim. À tarde, o ministro realmente foi recebido pelo presidente junto a Heleno, o próprio Mourão e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), outro interlocutor entre Bolsonaro e Bebianno.

Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia se manifestado sobre a conversa e a permanência de Bebianno na pasta continuava indefinida.

Segundo levantamento do UOL junto à agenda oficial de Bolsonaro, Carlos foi recebido em audiências no Planalto, em janeiro, por cinco vezes, mais do que muitos ministros.

Parlamentares buscam se distanciar da crise

Na quarta, um dos dias mais agitados da crise com o ministro Bebianno, a preocupação dos parlamentares do PSL era sobre o desfecho do impasse. Os parlamentares da Câmara e do Senado se reuniram em um jantar para discutir o papel do partido dentro da crise.

"Essa crise não é nossa, dos parlamentares. Mas respinga na gente. Todo mundo fica com o pé atrás, esperando uma resolução. E agora estamos em compasso de espera, até que saibamos se o ministro fica ou não", disse um deputado ao UOL, na condição de não revelar o nome.

"Sabemos da importância dos filhos dele como conselheiros, mas ainda não está claro até onde vai essa influência ", completou.

Dessa reunião foi enviado um recado para o Planalto de que os parlamentares respeitam e esperam a decisão do presidente Bolsonaro, mas apoiam o ministro Bebianno.

"Temos receio de que a queda do ministro crie um ambiente desconfortável e vulnerável a pressões externas para quem está no governo", relatou. O parlamentar destacou ainda que a pressa em resolver a crise se justifica pelo medo de prejudicar o andamento da reforma da Previdência.

Após a reunião, na quinta, as declarações dos parlamentares buscaram ter tom conciliador. O senador Major Olimpio (PSL-SP) disse que a crise com o ministro não afetava o governo.

"Eu tenho certeza que no momento em que o ministro Bebianno tiver uma reunião pessoal e reservada com o presidente, tudo vai se esclarecer", declarou.

A deputada Joice Hasselman (PSL-SP) ponderou que o episódio dos candidatos laranjas é um "primeiro desgaste pontual que existe entre um integrante do núcleo duro do governo e o próprio presidente da República", porém, "pode acontecer outras vezes".

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