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Carlos Bolsonaro já teve mais agendas com pai no Planalto que 18 ministros

15.jan.2019 - Carlos Bolsonaro (à esquerda, de terno azul) acompanha reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros no Planalto - Alan Santos/PR
15.jan.2019 - Carlos Bolsonaro (à esquerda, de terno azul) acompanha reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros no Planalto Imagem: Alan Santos/PR

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

18/01/2019 04h00Atualizada em 18/01/2019 12h25

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) já foi mais recebido pelo pai no Palácio do Planalto do que 18 dos 22 ministros do governo federal. A verificação leva em conta as agendas oficiais de Jair Bolsonaro (PSL) divulgadas até esta quinta-feira (17) no site oficial da Presidência. 

O levantamento do UOL não considerou as três reuniões já realizadas do Conselho de Governo, composto por todos os ministros e o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB). O vice, aliás, só apareceu uma vez na agenda de Bolsonaro, em encontro com outras nove pessoas.

O segundo filho mais velho do presidente foi nominado como participante de cinco compromissos no Planalto --sendo dois deles privados. A frequência de Carlos reflete a influência exercida sobre o pai.

Responsável por cuidar das redes sociais do candidato à Presidência durante o período eleitoral, ele chegou a anunciar em novembro passado que havia interrompido a sua participação direta no trabalho, depois se ver no centro de uma polêmica sobre sua possível indicação para o posto de secretário de Comunicação do governo.

Semanas depois, voltou a manter o controle dos perfis, que se tornaram os principais veículos de comunicação de Bolsonaro como candidato e como presidente.

Ranking

Apenas três dos quatro ministros que têm gabinetes no palácio foram recebidos mais vezes que o vereador. O mais assíduo deles é o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, com 20 visitas registradas.

Em seguida, vêm os generais Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), com dez participações, e Carlos Alberto dos Cruz, da Secretaria de Governo, com sete.

Cinco ministros, por sua vez, ainda não tiveram a oportunidade de ser recebidos em encontros no Planalto, entre ele o chefe do "superministério" da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.

Veja abaixo o número de vezes que cada ministro foi recebido:

  • Onyx Lorenzoni (Casa Civil) - 20
  • Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) - 10
  • Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo) - 7
  • Ernesto Araújo (Relações Exteriores) - 5
  • Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) - 4
  • Fernando Azevedo e Silva (Defesa) - 4
  • Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) - 3
  • Bento Costa Lima (Minas e Energia) - 3
  • Paulo Guedes (Economia) - 2
  • Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) - 2
  • Ricardo Salles (Meio Ambiente) - 2
  • Tereza Cristina (Agricultura) - 2
  • Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) - 1
  • Wagner Rosário (Transparência e Controladoria-Geral da União) - 1
  • Roberto Campos Neto (Banco Central) - 1
  • Ricardo Vélez Rodriguez (Educação) - 1
  • André Luiz de Almeida Mendonça (CGU) - 1
  • Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) - 0
  • Luiz Henrique Mandetta (Saúde) - 0
  • Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) - 0
  • Osmar Terra (Cidadania) - 0
  • Damares Alves (Mulheres, Família e Direitos Humanos) - 0

Carlos acompanha o pai e Michelle no Rolls Royce presidencial durante cortejo de posse em Brasília - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Carlos acompanha o pai e Michelle no Rolls Royce presidencial durante cortejo de posse em Brasília
Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Audiências

Logo no terceiro dia do governo Bolsonaro, Carlos esteve em uma audiência que reuniu o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, e os ministros Ernesto Araújo e Santos Cruz, às 14h30.

Pouco mais de três horas depois, às 17h40, lá estava o nome do vereador do Rio de Janeiro de novo, desta vez em encontro particular.

Em um tuíte naquele dia, o filho do presidente divulgou uma foto na qual aparece ao fundo durante na primeira reunião ministerial do governo e disse acompanhar, aprender e "diferente do que muitos lixos da mídia dizem, sem interesse maior algum".

"Somente com intuito natural de estar perto de quem ama, tentando sempre dar um ponto de vista sabendo sempre meu lugar! Algo que provavelmente estes tais boçais não sabem o significado", escreveu.

Na mesma data, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, teve duas audiências com o pai, às 14h e às 17h20. Desde então, ele não reapareceu na agenda oficial.

Passados 11 dias, o "02", como é chamado pelo pai, voltou a se reunir a sós com o presidente, às 15h15 da segunda-feira (14). Pela manhã, ele havia se reunido com o ministro do GSI e o presidente. Já às 16h15, os três participaram de encontro com delegados da Polícia Federal.

O vereador participou ainda do almoço oferecido pelo governo brasileiro ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, no Palácio Itamaraty. O filho de Bolsonaro chegou ao local acompanhado do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins.

Na manhã desta quinta (17), Carlos voltou a usar o Twitter para informar seus quase 800 mil seguidores na rede social que esteve esta semana em Brasília "acompanhando o trabalho inicial dos ministros".

"Deixo aqui meu apoio e respeito aos senhores", escreveu, desejando "um forte abraço a todos", citando o chanceler Ernesto Araújo, o professor Ricardo Vélez Rodriguez, da Educação, e o general Santos Cruz, chefe da Secretaria de Governo.

Carlos se tornou presença frequente em Brasília já desde a vitória do pai na eleição de outubro passado, sendo visto em boa parte dos compromissos durante o governo de transição. No dia da posse, ele desfilou em carro aberto junto com Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle.

Outro lado

Procurado pelo UOL, Carlos Bolsonaro não quis se manifestar sobre a reportagem.

Nesta sexta-feira (18), após o site O Antagonista replicar trecho da reportagem do UOL, Carlos foi ao Twitter criticar a imprensa.

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