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Planalto quer desvincular demissão de Bebianno de "tratamento desigual"

Adriano Machado/REUTERS
2.jan.2019 - O presidente Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado/REUTERS

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

2019-02-19T18:25:21

19/02/2019 18h25

Após a demissão do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, o governo Jair Bolsonaro põe em prática estratégia para afastar a ideia de que o presidente teria lançado mão de um tratamento desigual ao manter no cargo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL) --ambos envolvidos em suspeitas no caso dos laranjas do PSL.

Fonte do governo disse ao UOL, após divulgação de novos áudios envolvendo Bebbiano e Bolsonaro, que o Planalto reforçará a explicação de que o desligamento do ex-presidente interino do partido durante a campanha eleitoral foi motivado por questão de "foro íntimo" do presidente.

Segundo uma autoridade ligada à Presidência, o governo tenta agora reforçar a posição de que eventuais culpados de envolvimento no caso dos laranjas do PSL serão punidos somente após o desfecho da investigação da Polícia Federal e que a demissão de Bebianno não está relacionada com isso. O governo não quer tomar medidas enérgicas contra seus aliados antes que o caso seja totalmente esclarecido.

Esse é o argumento que justifica a permanência do ministro do Turismo no cargo enquanto seu par foi demitido.

Porém, uma candidata a deputada estadual nas últimas eleições do PSL em Minas Gerais Clauzenir Barbosa afirmou ao jornal "Folha de S.Paulo" que Álvaro Antônio teria conhecimento de um esquema de lavagem de dinheiro público pelo partido no estado.

Tanto Bebianno quanto Álvaro Antônio tiveram seus nomes vinculados a um suposto esquema de desvio de verbas públicas de campanha por meio de candidaturas fantasmas, que foi revelado pela "Folha". Ambos negam envolvimento, mas o caso é investigado pela Polícia Federal.

A demissão de Bebianno foi anunciada oficialmente ontem após uma semana de impasse. O governo não esclareceu, no entanto, qual foi a razão de foro íntimo do presidente que motivou a decisão.

Segundo uma autoridade ligada à ala militar do governo, o grupo acredita não haver ainda evidências suficientes para vincular Bebianno ao caso dos laranjas.

Hoje, gravações de conversas entre os dois, reveladas pela revista "Veja", apontam para um desentendimento relacionado a uma discussão pública que agravou a crise política na semana passada. A discussão era sobre o fato de Bebianno e Bolsonaro terem se falado ou não no momento em que a crise se avolumava. Ela foi exposta na imprensa e agravada por publicação no Twitter do filho do presidente Carlos Bolsonaro (PSL) --na qual ele acusou Bebianno de mentir ao dizer que os dois haviam se falado.

No entanto, os áudios divulgados hoje mostram que houve troca de mensagens entre o presidente e Bebianno, ao contrário do que havia dito Carlos.

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