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PF pede, e Paraná libera avião para levar Lula a enterro do neto em SP

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Lula e seu neto, Arthur, que morreu hoje em São Paulo Imagem: Reprodução

Alex Tajra e Vinícius Konchinski

Do UOL*, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Curitiba

2019-03-01T16:55:35

2019-03-01T21:47:20

01/03/2019 16h55Atualizada em 01/03/2019 21h47

Em nota divulgada na tarde de hoje, o governo do Paraná afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a São Paulo para acompanhar o velório do neto. Lula utilizará uma aeronave do estado, concedida após pedido da superintendência da Polícia Federal no Paraná.

A utilização do avião foi autorizada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). O neto de Lula, Arthur Lula da Silva, 7, morreu hoje em decorrência de uma meningite meningocócica.

A Justiça Federal do Paraná ainda não confirma a liberação do ex-presidente. Mas o governo do Paraná já divulgou à imprensa que atendeu pedido da PF -- o que sugere que o petista viajará para a cerimônia. O Ministério Público Federal já se manifestou de forma favorável ao deslocamento de Lula para o velório. 

Arthur era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente e da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017. Ele visitou o ex-presidente duas vezes na sede da Polícia Federal em Curitiba no ano passado. 

Advogados do PT confirmam liberação

Advogados do PT disseram ter recebido a informação da Polícia Federal de que a juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena do ex-presidente, vai liberar o petista para ir ao velório de seu neto.

De acordo com os advogados petistas, a juíza está conversando com integrantes da PF e do Ministério Público Federal sobre a forma como será feita a liberação. Eles lembram que o STF já havia liberado Lula para ir ao enterro do irmão Vavá, em janeiro, mas com uma série de imposições.

O neto de Lula será cremado neste sábado, 2, ao meio dia no Cemitério da Colina, em São Bernardo do Campo. Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, a prioridade neste momento é a família de Arthur. "Se o pessoal tiver o mínimo de bom senso Lula vai poder se despedir do neto e depois volta para a cadeia", disse Okamotto.

Lula foi informado da morte do neto por Sandro Luis, que teve autorização da Polícia Federal para conversar por telefone com o pai.

Lula é liberado para deixar a prisão e ir ao velório do neto de 7 anos

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Tom cauteloso da defesa

Diferentemente de pedidos anteriores para saída de Lula, na petição protocolada hoje a defesa sugeriu um acordo com as autoridades para "determinar providências específicas". Os advogados assumiram o compromisso de não divulgar o trajeto que o ex-presidente fará após deixar a carceragem da PF. 

O tom cauteloso da defesa do ex-presidente se segue ao frustrado pedido de saída temporária para acompanhar o funeral de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula, no fim de janeiro. 

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Lula ao lado do neto Arthur (à direita) Imagem: Reprodução
Naquela ocasião, o pedido percorreu um longo caminho no Judiciário. Uma sucessão de negativas à saída temporária levou o caso ao STF (Supremo Tribunal Federal). Por fim, o presidente da Corte, Dias Toffoli, autorizou o ex-presidente a ir a São Paulo para se encontrar com a família em uma unidade militar -- mas a decisão saiu quando Vavá já estava sendo sepultado.

Com a ausência de Lula, o enterro do irmão ganhou tom político, em clima de protesto e de desagravo ao ex-presidente. O evento foi aberto à imprensa e transmitido por aliados do petista em páginas nas redes sociais. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, discursou na cerimônia e disse que a negativa ao comparecimento de Lula era "uma maldade".

Diferente do pedido feito hoje, no caso de Vavá a defesa do ex-presidente não pediu sigilo à solicitação, nem sugeriu algum tipo de diálogo com as autoridades. O endereço do cemitério onde o irmão de Lula foi sepultado também estava público no documento.

Após a petição protocolada hoje, o processo de execução penal de Lula entrou em sigilo nível 4, ou seja, somente a juíza Carolina Lebbos e alguns servidores do tribunal têm acesso aos autos. 

*Com reportagem de Bernardo Barbosa, do UOL, em São Paulo, e informações da Agência Estado

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