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Em meio a tuítes e churrasco, Bolsonaro e Maia travam relação conflituosa

14.nov.2018 - Jair Bolsonaro (PSL) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) no CCBB, sede do governo de transição - Rafael Carvalho/Governo de Transição
14.nov.2018 - Jair Bolsonaro (PSL) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) no CCBB, sede do governo de transição Imagem: Rafael Carvalho/Governo de Transição

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

24/03/2019 04h00

A relação entre o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e o chefe da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), azedou na última semana, quando o parlamentar, furioso após ter sido criticado por um dos filhos do presidente da República, ligou para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e ameaçou se retirar da articulação da reforma da Previdência.

Na ocasião, Maia já não escondia a insatisfação com a falta de solidez da base governista no diálogo pró-reforma e também com a pressão exercida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, por rapidez na tramitação do pacote anticrime enviado ao Parlamento.

O estopim do impasse veio com o post de Carlos Bolsonaro (PSC), que é vereador no Rio de Janeiro mas tem interferido no cotidiano do Executivo devido à repercussão de suas declarações no Twitter.

Na quinta (21), o filho do presidente compartilhou nas redes a resposta de Moro à decisão de Maia de não dar prioridade ao projeto de lei que prevê medidas de combate ao crime organizado e à corrupção. Além disso, no Instagram, Carlos lançou uma pergunta: "por que o presidente da Câmara está tão nervoso?".

As mensagens do vereador carioca, atuante nas mídias digitais e, apenas no Twitter, seguido por mais de um milhão de simpatizantes, serviram como gasolina em um incêndio que o governo tentava debelar. Isso porque, nas redes sociais, Maia passou a receber diversos ataques de bolsonaristas e chegou a ser chamado de "achacador".

A interlocutores, o deputado disse que não era possível ajudar a obter votos favoráveis à reforma da Previdência na Câmara sendo golpeado desse jeito. Ainda não se sabe exatamente se ele continuará ou não a assumir o papel de "líder da reforma". Ontem, Maia disse que continuará empenhado na aprovação do projeto. Em entrevista ao lado de Maia, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), chamou o presidente da Câmara de "líder no processo de aprovação da reforma da Previdência".

No fim de semana passado, em uma tentativa de pacificação, Bolsonaro e Maia confraternizaram em um churrasco oferecido pelo presidente da Câmara em sua residência oficial. Na ocasião, o deputado defendeu um "pacto de governabilidade" e ouviu do presidente da República que era importante trabalhar pela união entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Também participaram do almoço o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, além do chefe do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e 13 ministros.

O clima amistoso, no entanto, esvaiu-se em apenas alguns dias, e a crise atingiu o ápice durante as viagens de Bolsonaro aos Estados Unidos e ao Chile.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal "O Estado de S.Paulo", Maia declarou que "o governo é um deserto de ideias" e aconselhou Jair Bolsonaro a passar menos tempo no Twitter e se empenhar mais organizando propostas para o país.

Do Chile, o presidente da República respondeu que dedica ao Twitter apenas 20 minutos do dia e, em discurso, afirmou que a responsabilidade pela tramitação da reforma da Previdência é do Parlamento.

O pesselista também deixou claro que tem considerado as manifestações de Maia "um tanto quanto agressivas". Pouco depois, durante a visita a Doria, o presidente da Câmara retrucou: "não uso minhas redes sociais para agredir ninguém, e sim para apresentar propostas, ideias e discussões para a sociedade."

A sucessão de atritos entre as duas lideranças políticas tem sido motivo de preocupação por parte dos interlocutores da fragmentada base governista e também do mercado financeiro. A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), chamou para si a tarefa de tentar pacificar a relação.

Na visão dela, o desgaste provocado pelas divergências entre os Poderes é apenas um "ruído" a ser solucionado. "Não estamos no ponto do divórcio. Estamos no ponto de reatar a relação", disse ela na última sexta-feira (22). Naturalmente, argumentou a deputada, a tramitação de uma proposta de reforma tende a ter um início mais "espinhoso". "Mas tem bombeiro aqui para apagar o fogo", comentou.

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