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Golpe: comandante diz que Forças Armadas não se arrependem do "31 de março"

Em janeiro deste ano, o general Edson Leal Pujol é empossado como novo comandante do Exército - Valter Campanato/Agência Brasil
Em janeiro deste ano, o general Edson Leal Pujol é empossado como novo comandante do Exército Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

28/03/2019 17h01Atualizada em 28/03/2019 22h31

Em meio às polêmicas sobre a determinação do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para que os militares celebrassem os 55 anos do golpe de 1964, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, disse que as Forças Armadas não se arrependem do golpe, não reconhecido pelos militares. "Se arrependem? Do 31 de março? Não", disse o general em breve entrevista concedida ao UOL hoje, na saída da cerimônia de entrega da medalha da Ordem do Mérito Judiciário Militar. Ele falou na saída do evento, enquanto esperava seu carro chegar ao Clube do Exército, em Brasília.

Na semana passada, Bolsonaro determinou que as Forças Armadas organizassem celebrações em unidades militares para lembrar o dia 31 de março de 1964, data que marca o golpe que depôs o então presidente João Goulart e deu início a um período em que o país foi comandado por uma ditadura militar que durou 21 anos e resultou na morte ou desaparecimento de 434 pessoas, de acordo com dados da CNV (Comissão Nacional da Verdade).

A determinação do presidente foi questionada pelo MPF (Ministério Público Federal), que enviou recomendações a diversos estados para que as unidades militares se abstivessem de celebrar a data. A Justiça Federal no Distrito Federal deu até cinco dias para que o presidente e a União se manifestem sobre o assunto.

O general disse que a reação de parte da opinião pública e de órgãos como o MPF contra a determinação de Bolsonaro é um "escarcéu". "Vocês estão fazendo um escarcéu danado. Todos os anos teve isso [a celebração]."

Para o general Pujol, o país tinha é que "agradecer" pelo golpe porque, na avaliação dele, os militares impediram a suposta implantação de uma ditadura comunista no país.

Confira a entrevista na íntegra.

UOL - O que as celebrações deste ano têm de diferente em relação aos anos anteriores?

General Edson Pujol - Você usou o termo celebração. Não, é uma lembrança do que aconteceu antes e durante aquele período.

Nessa lembrança há eventos dos quais as Forças Armadas se arrependem?

Se arrependem? Não. Do 31 de março, não.

Mas e de todo o regime que veio depois...

Não. Estamos falando do 31 de março?

Sim.

Vocês perguntam se os partidos que defendem [os guerrilheiros Carlos] Lamarca, [Carlos] Marighella, guerrilha urbana, guerrilha rural, fizeram atentados a banco, a bomba, mataram pessoas, sequestraram, fizeram atentados a pessoas inocentes, vocês fazem essas perguntas?

Eventualmente, sim, general...

Nunca ouvi vocês falarem isso. Nunca vi.

Eventualmente, sim.

Nunca fizeram. Quando vocês perguntarem pro outro lado, a gente responde isso. Quer ver outra pergunta? Vocês estão fazendo um escarcéu danado. Todos os anos teve isso. Em 2017, no Congresso, celebraram 100 anos da Revolução Russa. Alguém fez alguma coisa?

O senhor acha que é correta a celebração do 31 de março?

Lembrar o 31 de março? Que o povo brasileiro, a imprensa, os políticos não queriam que fosse implantada uma ditadura comunista aqui no Brasil... Isso nós temos que agradecer àquelas pessoas que impediram isso. Inclusive, instigados por países de movimentos de fora do país.

Independentemente das mortes e torturas que ocorreram naquele momento?

Estamos falando de impedir a implantação de um regime totalitário de esquerda e comunista no Brasil. É disso que estamos falando.

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