Topo

Bolsonaro parabeniza "civilidade" de manifestantes; Moro agradece apoio

Aiuri Rebello e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

30/06/2019 18h08

Os manifestantes que saíram às ruas hoje em apoio ao ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e à Operação Lava Jato foram elogiados no Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Já o ex-juiz federal fez um agradecimento aos manifestantes e ao próprio chefe do Executivo.

O mandatário parabenizou pela "civilidade" dos atos, apesar dos registros em ao menos duas capitais de confusões envolvendo seus eleitores e membros ou simpatizantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

Na mensagem, Bolsonaro não cita nominalmente o ministro, um dos pivôs da crise instalada após a divulgação de conversas privadas entre ele, quando ainda era juiz federal, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Os diálogos mostram que o ex-magistrado repassou orientações à operação.

Bolsonaro se referiu aos que integraram a mobilização como "os que foram às ruas manifestar seus anseios".

Além de saírem em defesa de Moro e da Lava Jato, os participantes dos protestos pelo país defenderam pautas como a aprovação da reforma da Previdência e do pacote anticrime. Também houve críticas ao Congresso Nacional, em especial o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Às 19h53, Bolsonaro postou novamente no Twitter. Na mensagem, ele afirma respeitar "todas as instituições, mas acima delas está o povo".

Moro comenta

Pelo Twitter, Moro se pronunciou inicialmente com uma mensagem curta: "Eu vejo, eu ouço". A postagem feita ainda pela manhã compartilhava um vídeo com imagens aéreas da manifestação na orla da praia de Copacabana, na zona sul carioca. Horas depois, o ministro publicou novamente em sua rede social afirmando que "sempre agiu com correção".

O ministro ainda agradeceu Bolsonaro e fez um aceno ao Congresso, um dos alvos das manifestações de hoje.

"Sou grato ao PR [presidente] Jair Bolsonaro e a todos que apoiam e confiam em nosso trabalho. Hackers, criminosos ou editores maliciosos não alterarão essas verdades fundamentais. Avançaremos com o Congresso, com as instituições e com o seu apoio", escreveu Moro.

MBL ouve 'fora daqui' em SP

Um grupo de manifestantes do Direita SP, ligado a parlamentares do PSL em São Paulo, fez uma provocação ao MBL junto ao carro de som do movimento na avenida Paulista --ambos participaram das convocações e da organização do ato pró-Moro. Com palavras de ordem como "fora daqui" e até "petralhas", o grupo de dezenas de pessoas quase causou confusão.

"Calma pessoal, não vamos aceitar provocação, deixa para lá", gritavam ao microfone os organizadores do MBL para o público.

A discordância provocou agressões físicas entre alguns integrantes dos dois grupos, que trocaram empurrões até a PM (Polícia Militar) intervir.

Depois da confusão, o MBL publicou em suas redes sociais um agradecimento à PM paulista, por ter contido os manifestantes do outro grupo. No entanto, ninguém foi preso. Apesar da animosidade entre os dois grupos, o clima na manifestação era de tranquilidade até o final da tarde.

Ex-aliados, Direita SP e MBL romperam durante as convocações para a onda de manifestações de apoio a Bolsonaro realizadas no fim de maio. Na ocasião, o MBL foi contra a mobilização por considerar inapropriadas pautas antidemocráticas defendidas por alguns grupos de direita --como o fechamento do STF e do Congresso, por exemplo.

Manifestantes pró-Bolsonaro empunham bandeira contra o MBL no Rio de Janeiro - cdsantos/Futura Press/Folhapress
Manifestantes pró-Bolsonaro empunham bandeira contra o MBL no Rio de Janeiro
Imagem: cdsantos/Futura Press/Folhapress

Carioca acusa grupo de traição

No Rio, eleitores de Bolsonaro recepcionaram o MBL com gritos de "traidores" e "vendidos" durante a passeata pela avenida Atlântica, na orla de Copacabana, zona sul carioca.

O técnico em segurança do trabalho Henrique Andrade, 44, foi um dos que protestaram contra a presença do Movimento Brasil Livre. Na visão dele, os ativistas ligados ao grupo mudaram depois que assumiram cargos públicos e agora "estariam se vendendo" no Congresso.

"Eu acompanho o MBL desde o começo e não reconheço mais, estão se vendendo para o Freixo, para o Eduardo Cunha, para o Rodrigo Maia", disse ao Estadão. "Eles (MBL) vão ter que fazer muito para limpar a barra deles com a gente", disse ele ao jornal "O Estado de S.Paulo".

O ato na zona sul carioca começou no posto 5 em Copacabana e se espalhou pelas imediações da avenida Atlântica. A Polícia Militar não divulga o número de participantes. Em alguns trechos da via, os presentes ocupam as duas pistas da avenida Atlântica.

Palavras em favor de Moro e da Lava Jato estão na maioria das faixas e cartazes exibidos pelo público. Há também mensagens elogiosas ao ministro Paulo Guedes (Economia) e críticas à corrupção.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Mais Política