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Política

Na Câmara, Moro ouve 'Deltan cretino' e virou 'escolinha do Prof. Raimundo'

Hanrrikson de Andrade, Felipe Amorim e Luciana Quierati

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

02/07/2019 16h31

Na Câmara de Deputados para explicar mensagens que teria trocado com a Lava Jato quando era juiz, o ministro da Justiça, Sergio Moro, ouve nestas duas primeiras horas de sessão termos como "cretino", usado por Rogério Corrêa (MG-PT) para se referir ao procurador Deltan Dallagnol, e o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) comparando a audiência com a "escolinha do professor Raimundo".

"Se eu ficar cuidando aqui de quem foi no banheiro e o outro sentou no lugar... Não dá. E o salário, ó!", ironizou o deputado Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da CCJ, que fez duas analogias ao programa humorístico de Chico Anysio em menos de 30 minutos. No Twitter, muitos lembraram que o salário de um deputado federal ultrapassa os R$ 30 mil.

A sessão começou às 14h16 desta terça-feira e não tem previsão para acabar. Ao menos 90 deputados, que têm direito a 3 minutos cada, se inscreveram para fazer perguntas a Moro, que já havia sido ouvido pelo Senado no mês passado.

Após o insulto a Dallagnol, chefe da operação Lava Jato, o líder do partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Delegado Waldir (GO), foi um dos que mais reclamaram. Ele cobrou do presidente da CCJ que a oposição não ofendesse ministros e investigadores da Lava Jato.

"Parece a 'Escolinha do Professor Raimundo' isso aqui", diz deputado em sessão com Moro

UOL Notícias

No auge do tumulto, um deputado utilizou palavra de baixo calão e foi repreendido por Francischini: "Por favor, utilize o linguajar adequado".

Durante a pergunta ao ministro, Corrêa afirmou que as reportagens indicam que Moro teria agido com parcialidade na condução dos processos. Além disso, fez duras críticas ao trabalho dos procuradores.

Em sua defesa, Moro voltou a questionar a autenticidade das mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil, a quem acusou novamente de "sensacionalismo". Também utilizou termos idênticos ao que havia usado no Senado, negando a existência de um "conluio" com o Ministério Público. Pelo contrário, segundo o depoente, ocorreram muitas "divergências" e eventualmente algumas "convergências".

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