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Moro defende que Polícia Federal investigue assassinato de Marielle

Manifestantes exibem cartaz com a frase "Quem mandou matar Marielle" durante ato no aniversário da morte da vereadora - Ricardo Moraes - 14.mar.2019/REUTERS
Manifestantes exibem cartaz com a frase "Quem mandou matar Marielle" durante ato no aniversário da morte da vereadora Imagem: Ricardo Moraes - 14.mar.2019/REUTERS

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

02/07/2019 17h42Atualizada em 02/07/2019 18h19

O ministro da Justiça, Sergio Moro, defendeu hoje em Brasília que a Polícia Federal, subordinada ao seu ministério, investigue o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) "dada a gravidade e a magnitude do fato". Até agora, os mandantes da execução, cometida em março de 2018, não foram descobertos. A Polícia Civil fluminense investiga o crime, no qual o motorista Anderson Gomes também morreu.

Moro opinou sobre o assunto durante audiência na Câmara dos Deputados sobre as mensagens atribuídas a ele divulgadas pelo site The Intercept Brasil nas últimas semanas. No entanto, parlamentares da oposição também têm questionado o ministro sobre outros assuntos -- entre eles, a demora na investigação do caso Marielle.

"Foi cogitado um incidente de deslocamento [do caso] para a Polícia Federal. Eu particularmente sou a favor. Mas não foi essa a decisão tomada na época. Essa decisão depende da procuradora-geral da República [Raquel Dodge] e não do ministro da Justiça", respondeu Moro.

O ministro disse repudiar o assassinato da vereadora e lembrou que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Raul Jungmann, abriram inquérito sobre uma possível obstrução da investigação.

"Esse inquérito foi sendo conduzido paralelamente pela Polícia Federal, e ele contribuiu enormemente para que mais recentemente, ainda nesse ano, fossem presas as pessoas apontadas como executoras daquele assassinato", afirmou Moro.

Mesmo defendendo a investigação do caso pela PF, o ministro disse esperar que, "ainda que isso não aconteça, os fatos sejam devidamente elucidados pela Justiça estadual, o Ministério Público estadual e Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro".

Para PF, investigação foi obstruída

Nos últimos meses, autoridades realizaram prisões relacionadas ao caso Marielle, mas ainda não chegaram aos mandantes. Uma das estratégias adotadas no momento é tentar obter delações de possíveis envolvidos a partir de investigações de crimes sem relação com o assassinato da vereadora.

A Polícia Federal já citou o ex-deputado estadual Domingos Brazão (ex-MDB, hoje sem partido) como um dos possíveis mandantes do crime. Sua defesa nega qualquer participação dele no caso.

Os suspeitos de terem participado diretamente do assassinato de Marielle, o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, estão presos desde março. Os advogados de ambos negam as acusações. Eles estão presos no presídio federal de Mossoró (RN).

Em maio, a PF concluiu que houve obstrução à investigação do assassinato de Marielle. No mesmo mês, a Polícia Civil do Rio fez uma operação contra uma quadrilha de milicianos e prendeu dois suspeitos de clonar o carro usado pelos assassinos no dia do crime.

No último dia 11, o delegado federal Lorenzo Pompilho da Hora, que participou da apresentação de uma testemunha falsa, foi preso por extorsão. O delegado nega participação em esquema ilegal.

A própria testemunha, o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, depois admitiu que mentiu ao acusar o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial militar Orlando Araújo, o Orlando Curicica, de serem os mandantes da execução da vereadora.

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