Topo

Bolsonaro defende Eduardo para embaixador dos EUA: "Não é aventureiro"

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

12/07/2019 10h20Atualizada em 12/07/2019 14h39

Após receber críticas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu hoje a possibilidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, ser indicado para ocupar o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ontem, o presidente disse que a nomeação foi pensada.

Em transmissão ao vivo na internet feita na manhã de hoje --acompanhado pelo pastor Valdemiro Santiago e do missionário José Olímpio, Bolsonaro disse querer o melhor para seus filhos. "O que nós queremos no fundo? Que nossos filhos sejam melhores do que nós", comentou.

"O garoto fala inglês, fala espanhol, tem uma vivência no mundo todo, é amigo da família do presidente [dos Estados Unidos] Donald Trump, e existe essa possibilidade [de ser indicado]". Para o presidente, as críticas são uma "lenhadinha" da imprensa em sua família.

Bolsonaro diz que o filho Eduardo "não é um aventureiro". "Acabou de casar, inclusive." O presidente ainda apontou que a indicação não depende apenas dele, mas de seu filho e do Senado Federal aprovarem a nomeação. "Eu tenho certeza que o Eduardo Bolsonaro é muito melhor do que eu".

Em entrevista concedida poucas horas após a live do pai, Eduardo relembrou que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e que participou de encontros entre os dois países. "Sou presidente da Comissão de Relações Exteriores (da Câmara), já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos", destacou o parlamentar, que disse esperar uma definição até domingo, quando conversará com o presidente.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já disse que o deputado é um "excelente nome" para o cargo. O presidente diz que Araújo apoia essa possibilidade "não é porque é meu filho, é porque ele conhece o Eduardo".

O fato de ser seu filho também seria um ponto a ser considerado para sustentar a indicação, segundo presidente. "O tratamento é diferenciado", disse ao fazer uma análise imaginando um cenário hipotético em que o presidente da Argentina, Mauricio Macri, tenha indicado seu filho para seu embaixador da Argentina no Brasil. "Se você fosse o presidente, qual seria seu tratamento com o filho do Macri?"

Bolsonaro disse não estar preocupado com críticas e disse que "o caminho do fracasso é tentar agradar todo mundo".

O presidente comentou que a indicação para a função não é nepotismo --"jamais faria isso", disse-- e também pontuou que seu filho é presidente da Comissão de Relações Exteriores na Câmara.

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal, disse ao jornal Folha de S.Paulo ver nepotismo no caso, mas advogados ouvidos pelo UOL dizem que a indicação não seria enquadrada na lei de nepotismo.

Secretário de Governo diz que indicação não está definida

O ministro da secretaria de governo, Luiz Eduardo Ramos, afirmou que a indicação ainda não está definida e comparou o caso a outros anúncios do presidente, que acabaram não se realizando, como a transferência da embaixada brasileira em Israel, de Tel-Aviv, para Jerusalém.

"O presidente tem esses momentos de pronunciamento. Ele disse que a embaixada brasileira de Israel ia ser transferida para Jerusalém e hoje está aonde? Em Tel-Aviv. Ele manifestou uma intenção", afirmou.

O ministro disse que soube pela imprensa da possibilidade da indicação de Eduardo e que houve uma manifestação do ministro Ernesto Araújo que, segundo ele, viu com simpatia. "Isso também ainda teria que passar pela aprovação do Congresso", lembrou.

Ramos disse também que não faz juízo de valor da questão, mas que reconhece que ela é polêmica e que foi usada por parlamentares da oposição durante a votação da Previdência. "Pode ser que a indicação dê margem para o pessoal falar", afirmou. Apesar disso, disse que a indicação não contraria a lei e que o filho do presidente é um "jovem preparado".

"É amigo dos filhos do Donald Trump"

Eduardo Bolsonaro acompanha o pai em quase todas as viagens internacionais --sua atuação é vista nos bastidores como uma espécie de chanceler paralelo. Eduardo foi elogiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro do pai na Casa Branca. Ele, inclusive, foi convidado para participar do encontro fechado no Salão Oval, enquanto o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ficou de fora da conversa privada.

Eduardo é advogado e escrivão da Polícia Federal. Bolsonaro afirmou que o filho seria apto para o cargo de embaixador, mesmo sem nunca ter seguido a carreira diplomática, porque é "amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo".

Caso seja oficialmente indicado para o posto, Eduardo ainda precisaria passar por uma sabatina no Senado, que precisa aprovar o seu nome para chefiar a missão diplomática brasileira em Washington.

Representantes da oposição na Comissão de Relações Exteriores do Senado já afirmaram que veem nepotismo na indicação e pretendem ingressar com uma ação no STF se o deputado for realmente nomeado.

Pannunzio: Vale a pena bancar indicação de Eduardo Bolsonaro?

Band Notí­cias

Mais Governo Bolsonaro