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Bolsonaro nega que vá acabar com multa de 40% do FGTS para quem é demitido

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

20/07/2019 16h58

O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que não pretende acabar com a multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) paga ao trabalhador no caso de demissão sem justa causa.

"Em nenhum momento, vocês da mídia vão ter um vídeo meu falando que vou acabar com a multa de 40% do FGTS", declarou.

Segundo Bolsonaro, ele apenas afirmou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criou uma multa adicional de 40% para quem fosse demitido sem justa causa e isso encareceu o custo das demissões. Na verdade, a alíquota de 40% foi definida pela Constituição de 1988.

O que foi criado no governo tucano foi um adicional de 10% para dar ao FGTS caixa para quitar expurgos de planos econômicos. As empresas, portanto, pagam 50% de multa nas demissões -mas só 40% ficam com o trabalhador.

"Assim como ficou mais difícil ser demitido para quem estava empregado, quem empregava começou a não empregar mais pensando no possível custo da demissão", disse Bolsonaro.

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O presidente afirmou que é mais fácil defender trabalhadores porque a "massa é muito grande". Ele ainda disse que o Brasil tem muitos direitos trabalhistas, mas não vê norte-americanos, japoneses ou sul-coreanos interessados em trabalhar no país.

"Na questão dos direitos trabalhistas, é muito bacana ser o país com mais direitos. Eu estou vendo americano para burro no Brasil vindo para cá pela estabilidade no emprego. Muito pelo contrário, as pessoas querem ir para os Estados Unidos. Lá não tem direito nenhum. Não estou pregando isso. O mercado vai se ajustar A nossa mão de obra é uma das mais caras do mundo", afirmou.

Bolsonaro também voltou a afirmar que é difícil ser patrão no Brasil e disse, em tom de ironia, que criaria um programa com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para que empregados se tornem patrões.

"Eu tenho falado que é difícil ser patrão. E o cara responde que é mais difícil ser empregado. Estou pensando em lançar o programa Minha Primeira Empresa, para quem é empregado ter um dinheiro, talvez do BNDES, abrir a empresa dele e contratar 50 caras sem problema nenhum. O salário é alto para quem paga e pouco para quem recebe", disse.

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