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Bolsonaro ataca pai de Bachelet, preso e torturado pela ditadura chilena

2.set.2019 - O presidente Jair Bolsonaro - Antonio Cruz - 2.set.2019/Agência Brasil
2.set.2019 - O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Antonio Cruz - 2.set.2019/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo*

04/09/2019 10h00

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) atacou hoje o pai da alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet. O pai da ex-presidente chilena foi preso, torturado e morto pela ditadura militar no país.

A fala de Bolsonaro foi uma resposta à crítica feita por Bachelet hoje. Ela disse que o Brasil sofre uma "redução do espaço democrático", especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos.

"Michelle Bachelet, seguindo a linha de Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares", escreveu o presidente nas redes sociais.

"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época", acrescentou Bolsonaro.

O texto foi acompanhado de uma foto de Bachelet ao lado das ex-presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner.

Alberto Bachelet era general da Força Aérea e se opôs ao golpe dado por Augusto Pinochet em 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu em março de 1974, aos 50 anos, quando estava sob custódia. Segundo um relatório do Serviço Médico Legal, ele morreu vítima dos maus-tratos sofridos.

Em 2014, a Justiça condenou à prisão dois coronéis aposentados da Aeronáutica acusados de provocar sua morte.

"Redução do espaço cívico e democrático"

As declarações de Bachelet foram feitas em entrevista coletiva hoje em Genebra. "Nos últimos meses, observamos (no Brasil) uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil", disse.

Ela também destacou um aumento do número de pessoas mortas por policiais, ressaltando que esta violência afeta mais os negros e as pessoas que vivem em favelas.

A ex-presidente do Chile também lamentou o "discurso público que legitima as execuções sumárias" e a persistência da impunidade, além de questionar a política do governo de facilitar o acesso a armas.

*(Com EFE e AFP)