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Governadores do NE fazem 'bloco paralelo' e vão à Europa em busca de verba

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), de gravata azul, integra comitiva do Consórcio Nordeste na Europa - Elia Elsie / Consórcio Nordeste - Divulgação
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), de gravata azul, integra comitiva do Consórcio Nordeste na Europa Imagem: Elia Elsie / Consórcio Nordeste - Divulgação

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/11/2019 04h01

Resumo da notícia

  • Governadores formaram o 'Consórcio Nordeste' para desenvolver a região
  • Esta semana, uma comitiva na Europa busca investimento estrangeiro
  • O consórcio foi formalizado após Bolsonaro falar em 'governadores de paraíba'
  • Mas membros rejeitam caráter de oposição da iniciativa

Em busca de financiamento e parceria, governadores e representantes dos estados do Nordeste percorrem França, Itália e Alemanha esta semana e participam de reuniões com investidores e governos locais.

A comitiva, composta por sete governadores, um vice e um funcionário, representando membros dos nove estados nordestinos, funciona como um "bloco comercial" paralelo e é resultado do Consórcio Nordeste, criado em março.

A apresentação conjunta da região a fundos de financiamento é inédito e, segundo os governadores, foi o caminho encontrado por conta da falta de recursos no país.

"Imagina sentar nove vezes com nove metas e nove governadores diferentes? Quando se apresenta conjuntamente, consegue-se estabelecer e falar de uma vez só", disse ao UOL por telefone, de Roma, o presidente do Consórcio Nordeste, o governador da Bahia Rui Costa (PT).

Ele afirma que os governadores não se reuniram para confrontar o governo federal —alvo e objeto de críticas por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a falar em "governadores de paraíba".

"Não colocaria essa polarização. Não estamos aqui por uma perseguição no Brasil, não é esse o ponto. Seja de ponto de vista público e privado, é nítida a restrição de opções financiamento no nosso país"

Leia os principais trechos da conversa:

UOL - Qual o objetivo dessa viagem?

Costa - Nosso objetivo é apresentar o Nordeste. Nosso foco são investimentos em saneamento, água, esgoto, energia limpa e, portanto, entendemos como um sucesso esses encontros.

Há dificuldades de financiamento no país?

Dada a condição financeira do Brasil, queremos buscar recursos e há capacidade de investimento, mesmo que privado, no exterior. Dada a escassez da capacidade de investimento no Brasil, é preciso que os estados ajam de forma proativa para buscar estimular. Aqui temos várias oportunidades de negócios, seja PPP [parceria público-privada], infraestrutura, transporte, mobilidade urbana, saneamento, portos, aeroportos. Visamos despertar interesse, que não é automático, não virá na semana seguinte.

Como o consórcio tem atuado nessa lógica de parceria?

Temos licitações que estão sendo feitas em conjunto. O consórcio comprou agora medicamentos, vamos ter para equipamentos na área de saúde, instalação de empreendimentos, como também queremos fornecedores para reduzir custos.

Isso tem alguma relação com o fato de os governadores do Nordeste serem oposição a Bolsonaro?

Não colocaria essa polarização. Não estamos aqui por uma perseguição no Brasil, não é esse o ponto. Seja de ponto de vista público e privado, é nítida a restrição de opções financiamento, seja privado ou pelos órgãos tradicionais, como Banco do Nordeste, BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], Banco do Brasil. Há de fato uma limitação, que não é direcionada ao Nordeste. Estamos dando agora as oportunidades a vários fundos de investimento. Decidimos não ficar cada um na sua cadeira reclamando da sorte. Com a atual conjuntura, estamos unidos com essa ferramenta para buscar recursos e melhorias, seja concessão ou financiamento internacional.

Como vocês encontraram a imagem do Brasil aí na Europa?

Evidente que a imagem do Brasil neste momento não é a melhor possível. Existe, por tudo que foi dito ao longo do ano, um certo arranhão. É preciso que a gente reafirme os valores do Brasil, de compromisso com o meio ambiente, com o desenvolvimento social e humano. Importante que estejamos todos juntos, todos os brasileiros, independente de região, para afirmar quais são os nossos valores. Não estamos sozinhos disputando investimento, muitos países buscam esses capitais para aplicar nas por todo o mundo.

Vocês se inspiraram em alguma outra união?

Isso é inédito e, inclusive, está sendo destacado. Para nosso orgulho, e até para elevar nossa autoestima, isso foi reconhecido por todos. Imagina sentar nove vezes, com nove metas, governadores e metas? Quando se apresenta conjuntamente, consegue se estabelecer e falar de uma vez em uma reunião. Ou seja, ele pensa: vou saber de nove oportunidades de uma vez só. .

Vocês procuraram o governo federal para que participasse dessa comitiva?

Sim, nós estivemos no Ministério das Relações Exteriores, e eles mandaram uma pessoa representando o ministério. Fizemos questão de fazer isso para tirar o caráter ideológico ou partidário. É uma missão com objetivo de Estado. Aqui somos brasileiros mais do que nunca, demonstrando o amor e a paixão pelo nosso país e falando de uma região deprimida historicamente por baixos indicadores. Estamos buscando reparar essas secular desigualdade.

E o que tem sido definido nessas reuniões?

As reuniões têm sido muito produtivas. Nós já fizemos viagens, estivemos na China para cada um apresentar seus estados. O que muda nessa forma é a dimensão. Estamos falando em 57 milhões de pessoas, com estados com potenciais e economias diversas. Temos 30 aeroportos, dezenas de portos operacionais, outros vão ser construídos, concedidos. Ou seja, ao mudar a escala, a gente também chama a atenção de fundo de investimentos, que se vissem isoladamente, talvez não despertassem tanto interesse. Aqui a gente mostra uma força econômica, uma demanda grande.

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