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Abraji repudia respostas de Bolsonaro a jornalistas e fala em assédio moral

Do UOL, em São Paulo

20/12/2019 16h17

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu nota hoje em repúdio às respostas de Jair Bolsonaro (sem partido) a jornalistas. Durante entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente da República chegou a questionar a orientação sexual de um repórter e, mais de uma vez, ordenou que os outros profissionais ficassem em silêncio.

"Atacar jornalistas como forma de evitar prestas informações de interesse público e receber aplausos de apoiadores é ação incompatível com o respeito ao trabalho da imprensa, fundamental para a democracia", diz o comunicado publicado pela Abraji. A nota trata as reações de Bolsonaro como "assédio moral" cometido contra os jornalistas.

Ao ser confrontado por uma pergunta relacionada às investigações sobre seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), Jair Bolsonaro disse que o repórter tinha uma "cara de homossexual terrível" - resposta que a Abraji considerou agressiva e sexista. "Você tem uma cara de homossexual terrível e nem por isso eu te acuso de ser homossexual", disse o presidente.

O primeiro exemplo usado pela Abraji foi a resposta dada por Bolsonaro ao ser questionado sobre a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. "Você pretende se casar comigo um dia? (...) Responde. Você não gosta de louro de olhos azuis? Não seja preconceituoso. Vou te processar por homofobia. Você é homofóbico", disse Bolsonaro ao repórter.

O posicionamento da Abraji vai além: "Foram mais de uma dezena de ocasiões ao longo do primeiro ano de mandato em que o presidente teve atitude semelhante. Os apoiadores do presidente que também o aguardam na porta do Alvorada costumam celebrar os ataques, acentuando o clima de intimidação contra os repórteres".

"Embora desta vez os alvos tenham sido homens, as jornalistas são as mais visadas pelo presidente na hora de atacar os profissionais. Segundo relatos de repórteres, Bolsonaro visa determinadas mulheres para constranger frequentemente, sempre que as vê ou é abordado por elas", conclui o texto.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.