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Alcolumbre acena a senadores ao atacar Bolsonaro sobre coronavírus

Geraldo Magela/Agência Senado
Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

25/03/2020 13h43Atualizada em 25/03/2020 20h30

A crise do novo coronavírus permitiu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um dos infectados pela covid-19, se reaproximasse de seus colegas senadores, de quem vinha se distanciando nos últimos meses.

Logo após pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro defendeu a "volta à normalidade", atacou mídia e governadores, e minimizou a covid-19, Alcolumbre divulgou nota repudiando a atitude e dizendo que o país precisa de uma liderança "séria", entre outras críticas.

A publicação com a nota crítica ao presidente já tinha atingido mais de 44,6 mil curtidas até a última atualização desta reportagem.

Além do próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiá-lo, diversos senadores saíram às redes sociais para corroborar o sentimento de perplexidade diante Bolsonaro, inclusive de partidos da suposta base do governo, como o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM).

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou dar "irrestrito apoio" ao posicionamento de Alcolumbre e que não estimular o isolamento social das pessoas é "absolutamente irresponsável". Para o senador, Bolsonaro tem "comportamento errático e atitude beligerante".

Um dos maiores empresários do país, Jereissati disse que as consequências econômicas negativas são grandes, mas menores e mais passageiras do que a morte de brasileiros.

A nota de Alcolumbre foi assinada por ele e pelo vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), que tem comandado a Casa enquanto Alcolumbre está de quarentena após ser infectado pelo coronavírus, Diz o texto:

Essa foi uma das críticas mais contundentes do presidente do Senado a Bolsonaro desde que chegou à Presidência da Casa no início do ano passado com apoio do Palácio do Planalto, em especial do então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), hoje na pasta da Cidadania.

Cobrança por posicionamento mais firme

Nos últimos meses, Alcolumbre desgastou-se com os senadores e vinha sendo cobrado internamente por posicionamentos mais firmes. Em atritos anteriores de Bolsonaro com o Congresso Nacional, ele evitou reclamar do presidente em público e divulgou notas consideradas muito amenas pelos senadores.

Embora pedisse harmonia entre os Três Poderes, os textos não costumavam fazer referência direta a Bolsonaro em meio a crises entre Legislativo e Executivo, como quando o presidente da República convocou a população às ruas contra o Congresso e posou para fotos na frente de cartazes com o escrito "Fora, Maia", em referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Na avaliação dos colegas, o presidente do Senado estava mais preocupado em eleger o irmão Josiel à Prefeitura de Macapá e vivia na sombra de Maia. Este, sim, costumava sair na frente de Alcolumbre em defesa o Congresso e de pautas de interesse do Parlamento.

Alcolumbre ainda é criticado por parte dos senadores por blindar a tramitação de pautas que não seriam de interesse do Planalto, como a prisão após condenação em segunda instância e a CPI da Lava Toga, que investigaria magistrados de tribunais superiores.

Nas redes sociais, Alcolumbre também vinha sendo cobrado por internautas para adotar ações mais firmes. No geral, suas postagens não chegavam a mil curtidas.

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