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Governo apoia isolamento e Bolsonaro pode ter se expressado mal, diz Mourão

Rafaela Felicciano/Metrópole
Imagem: Rafaela Felicciano/Metrópole

Do UOL, em São Paulo

25/03/2020 17h57

O vice-presidente da República (PRTB), Hamilton Mourão, anunciou hoje que o isolamento social é a posição do governo no controle do pandemia do novo coronavírus.

O posicionamento é oposto ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que criticou ontem em pronunciamento oficial em rádio e televisão o fechamento de comércio, escolas e fronteiras.

Para Mourão, "pode ser que ele (Bolsonaro) tenha se expressado de uma forma, digamos assim, que não foi a melhor".

"O que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Nós temos uma primeira onda, que é a saúde, e agora uma segunda onda, que é a questão econômica. Uma vez que toda atividade econômica cesse e o país praticamente caia numa anomia, podemos correr o risco de uma forte inquietação social, principalmente nas áreas mais vulneráveis", argumentou.

Ainda segundo Mourão, "o que fica claro é que a posição do governo, até o presente momento, é pelo isolamento e pelo distanciamento". "Ainda vai se discutir questão de prazos e até onde isso deverá ser levado, da forma como está sendo colocado, da forma mais estrita possível", anunciou.

As declarações foram dadas durante a primeira reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal, transferido em fevereiro por decreto presidencial para a Vice-Presidência da República. No evento, Mourão anunciou a criação de uma subcomissão de saúde e cidadania no Conselho, para tratar da disseminação da covid-19 na Amazônia Legal.

Questionado, Mourão reforçou a preocupação com a economia, mas colocou o isolamento como prioridade neste momento.

"O presidente está, por enquanto, dentro da política que foi traçada, a política sugerida pelo seu principal assessor na área da saúde, que é o ministro da Saúde. Agora, ele tem essa preocupação enorme com esse verdadeiro desmantelamento da economia", disse Mourão. "Isso foi discutido com nossos governadores e em reunião com os ministros pela manhã, mas a posição do governo continua sendo aquela que foi preconizada."

De acordo com o vice-presidente, o governo federal precisa estar unido aos governadores neste momento, deixando de lado eventuais diferenças. "Isso faz parte da politica. A política, muitas vezes, nos coloca em polos opostos", declarou.

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