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Estamos lutando contra o coronavírus e o 'Bolsonarovírus', diz Doria

Do UOL, em São Paulo*

16/04/2020 08h44

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) disse, em entrevista à agência Associated Press (AP), que o Brasil tem enfrentado no presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), um obstáculo na luta contra a pandemia do novo coronavírus por sua postura contra o isolamento social.

"Estamos lutando contra o coronavírus e contra o Bolsonarovírus", disse. Ele ainda afirmou que o presidente tem adotado "posições incorretas e irresponsáveis".

Na entrevista, João Doria voltou a defender a recomendação de isolamento social como melhor forma de combate à disseminação do novo coronavírus e disse que os resultados poderiam ser melhores se Bolsonaro tivesse outra postura.

Com a meta de limitar a movimentação em São Paulo em 70%, Doria ainda afirmou que a adesão de 50% verificada nos últimos dias poderia ser maior caso não tivesse a contraposição de um discurso que incentiva a volta aos trabalhos. A medição é feita com base em rastreio de celular, que analisa o deslocamento dos usuários.

"Apesar das instruções negativas que as pessoas recebem do presidente, metade da população (de São Paulo) respeita a quarentena. A resposta da população tem sido boa. Poderia ter sido melhor se não tivéssemos que usar ciência e medicina quase todos os dias para enfrentar suposições", disse.

Em atrito com Bolsonaro desde o início da crise pela covid-19 no Brasil, João Doria defendeu a sua posição combativa e disse que precisa proteger a população. "Temos que enfrentar o presidente e proteger a população", disse.

Doria ainda lamentou que o discurso de Bolsonaro ganhe eco em parte da sociedade brasileira. O governador tem sido alvo de protestos localizados que pedem o relaxamento do isolamento social e a volta ao trabalho de pessoas em teoria menos vulneráveis ao coronavírus, discurso em consonância com o defendido pelo presidente.

"Ouvir e ver pessoas educadas, que estudaram fora do Brasil, defendendo o que está errado e o que é extremo, me entristece. O confronto não é comigo. ... É um confronto com a ciência e a medicina de todo o mundo", completou.

*Com informações da agência AP

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