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Mapa da covid-19 por bairros em SP: Brasilândia tem 33 mortes em uma semana

Parentes de vítima da covid-19 acompanham enterro no cemitério da Vila Formosa, zona Leste de São Paulo - Nelson Almeida/AFP
Parentes de vítima da covid-19 acompanham enterro no cemitério da Vila Formosa, zona Leste de São Paulo Imagem: Nelson Almeida/AFP

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

16/04/2020 01h16

A covid-19 chegou às regiões mais vulneráveis da cidade de São Paulo e o resultado foram muitas mortes, o que explica o número de mortes subir 81,7% em uma semana. Somente na Brasilândia, bairro da zona norte, foram registrados 33 óbitos no intervalo de sete dias. Este é o principal exemplo que comprova que a pandemia se alastrou para a periferia. As zonas norte e leste são as áreas mais atingidas.

Os dados citados se referem a um mapa de mortes confirmadas e suspeitas de covid-19 por bairro divulgado pela prefeitura de São Paulo. O estudo mediu os casos entre 9 e 15 de abril. O mapa tem legenda que vai do alaranjado forte ao vermelho para localidades com 25 mortes ou mais. Estas cores só aparecem em bairros das zonas norte e leste. Para se ter uma ideia da gravidade da situação na zona norte, ela foi dividida pela prefeitura em 18 bairros —em 11 deles o número de óbitos foi de 17 pessoas ou mais.

O reflexo do alastramento da covid-19 na zona norte aparece na rede pública de saúde. O hospital Geral da Vila Nova Cachoeirinha tem 86% dos leitos de UTI ocupados.

Na zona leste a situação também é complicada e o local com mais mortes é a Vila Prudente/Sapopemba, com 28 casos. Itaquera aparece logo na sequência com 27 vítimas fatais da covid-19. Esta também é a região da cidade onde morreram os dois primeiros profissionais de saúde em São Paulo. Um era enfermeiro e trabalhava no Hospital Municipal do Tatuapé, o outro era auxiliar de enfermagem no hospital Tide Setúbal.

Na zona sul, a Capela do Socorro é a localidade com mais óbitos, 22. O bairro fica próximo ao Hospital Geral de Pedreira, que tem 87% de seus leitos de UTI ocupados.

O avanço do coronavírus nas periferias teve reflexo nas estatísticas gerais de mortes na cidade. Em uma semana os registros de óbitos subiram 81,7% - passaram de 428 na quarta-feira da semana passada para 778 na terça desta semana. A situação é o começo de um cenário que deve ser agravar conforme a Secretaria estadual de Saúde, que informou estimar que os leitos de UTI dos hospitais públicos ficarão lotados a partir da metade de maio.

Os hospitais de campanha devem suportar o aumento da demanda por mais tempo e a expectativa é que as vagas sejam completamente ocupadas em julho. Para evitar o colapso do sistema, a Secretaria de Saúde tenta abrir mais dois mil leitos de UTI. A falta de profissionais de saúde e respiradores são os principais gargalos.

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