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Moro diz que vai apresentar provas contra Jair Bolsonaro ao STF

Ex-juiz Sergio Moro, que pediu demissão do cargo de ministro da Justiça - UESLEI MARCELINO
Ex-juiz Sergio Moro, que pediu demissão do cargo de ministro da Justiça Imagem: UESLEI MARCELINO

Do UOL, em São Paulo

30/04/2020 20h13

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro deu entrevista à revista Veja e disse que vai entregar ao STF (Supremo Tribunal Federal) as provas das acusações feitas ao presidente Jair Bolsonaro no momento em que deixou o governo por causa da exoneração do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

"Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar", disse Moro.

O ex-juiz da Lava Jato também comentou o caso das mensagens trocadas com Bolsonaro e com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) no Whatsapp. Os prints das conversas foram enviados por Moro ao Jornal Nacional, da TV Globo. O ex-ministro reclamou por ter sido acusado de mentir pelo presidente.

"Eu apresentei aquelas mensagens. Não gostei de apresentá-las, é verdade, mas as apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo. Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente", disse o ex-ministro.

Ainda nessa linha, Moro disse que "ministros dentro do governo sabem quem está falando a verdade" no embate entre ele e Bolsonaro.

"Ele (Bolsonaro) sabe quem está falando a verdade. Não só ele. Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade. Por esse motivo, apresentei aquela mensagem, que era um indicativo de que eu dizia a verdade, e também apresentei a outra mensagem, que lamento muito, da deputada Carla Zambelli. O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo", afirmou.

Questionado pela reportagem da revista sobre o conteúdo das mensagens com Bolsonaro, nas quais ele dizia que uma investigação da Polícia Federal contra deputados aliados era "mais um motivo" para a troca do comando da Polícia Federal, o ex-juiz não quis se estender sobre a intenção de Bolsonaro.

"Essa é uma questão que também vai ter de ser examinada dentro do inquérito que foi aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar esse caso. Reitero a minha posição. Uma vez dito, é aquilo que foi dito. Não volto atrás. Seria incoerente com o meu histórico ceder a qualquer intimidação, seja virtual, seja verbal, seja por atitudes de pessoas ou de outras autoridades", disse Moro.

O ex-ministro também disse à revista que nunca foi sua intenção "ser algoz do presidente". Moro considerou a sua inclusão no pedido de abertura de inquérito feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, como um ato de intimidação.

"Entendi que a requisição de abertura desse inquérito que me aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa foi intimidatória. Dito isso, quero afirmar que estou à disposição das autoridades. Os ataques mais virulentos vieram principalmente por redes virtuais. Não tenho medo de ofensa na internet, não. Me desagrada e tal, mas se alguém acha que vai me intimidar contando inverdades a meu respeito no WhatsApp ou na internet está muito enganado sobre minha natureza" afirmou o ex-juiz.

Moro também disse na entrevista que tem medo de sofrer um atentado e que sua mulher vem sofrendo ataques na internet. Apesar disso, o ex-ministro disse que tem uma visão positiva ainda sobre Bolsonaro.

"Pessoalmente, gosto dele. No governo, acho que há vários ministros competentes e técnicos. O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia. Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção", disse.

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