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9 meses

Marina: Falar 'e daí?' para 5 mil mortos é coisa mais afrontosa que já vi

Do UOL, em São Paulo

06/05/2020 16h28Atualizada em 06/05/2020 19h03

Marina Silva (Rede-AC) criticou Jair Bolsonaro (sem partido) hoje, ao UOL Entrevista, pelo polêmico comentário feito em resposta a milhares de mortes causadas pelo novo coronavírus. No dia 28 de abril, quando o Brasil ultrapassou a marca de 5.000 mortes causadas pela covid-19, o presidente da República disse: "E daí? Lamento, quer que eu faça o quê?".

"Ele passou de todos os limites. Uma pessoa que, depois que tivemos a notícia de mais de 5.000 mortes, diz 'e daí?', como presidente da República, é a coisa mais afrontosa que já vi na minha vida", lamentou Marina.

Ontem o Ministério da Saúde anunciou que o Brasil registrou 7.921 mortes pelo novo coronavírus. Em 24 horas, o governo confirmou 600 mortes em decorrência da doença, maior número registrado no período desde o início da pandemia. No total, o país alcançou 114.715 casos oficiais, com 6.935 diagnósticos entre ontem e hoje, segundo os dados mais recentes da pasta.

A ex-ministra do Meio Ambiente expôs os motivos pelos quais acredita que Bolsonaro esteja conduzindo mal a reação do Brasil à pandemia. Ela citou a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

"Ele está indo para o tudo ou nada. O que vejo nas atitudes dele é de que ele não tem competência técnica, compromisso ético para governar uma democracia. Ele só conseguiria governar como ele age, em um regime autoritário", acusou.

Embora critique Bolsonaro, Marina se posicionou contra manifestações populares que levariam o povo às ruas durante o contexto atual, no qual as autoridades de saúde ressaltam o isolamento social como melhor arma contra o coronavírus.

"Bolsonaro não tem responsabilidade, senão não tiraria Mandetta no meio da pandemia. Ele não se importa com o que está acontecendo. Ele chama as pessoas para a manifestação. Mas nós podemos fazer panelaço. Não podemos ser tão irresponsáveis como ele", disse Marina.

Ainda falando sobre a crise de saúde causada pelo coronavírus, a ex-senadora também fez críticas à postura do PT ao longo dos últimos anos.

"Estamos brigando por respiradores e por máscaras. Então, esse novo contexto é algo que merece ser debatido, por méritos, e não por rótulos [de esquerda e direita]. Eu acho que podemos debater o Brasil. O PT fez uma escolha: escolha de que não houve corrupção. E quando não se faz autocritica...", analisou.

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