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Política

Bolsonaro ironiza e diz que irá convidar até 3.000 pessoas para churrasco

Do UOL, em São Paulo

08/05/2020 17h19

Em tom de ironia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse na tarde de hoje que irá convidar milhares de pessoas para um churrasco amanhã no Palácio da Alvorada, em Brasília. Inicialmente, ele disse que chamaria apenas jornalistas.

"Tem 1.300 convidados, mas quem tiver amanhã aqui, se tiver mil, a gente bota para dentro. Vai dar mais ou menos 3 mil pessoas no churrasco", disse ele, rindo, no Alvorada hoje à tarde. Apoiadores que estavam no cercadinho, tradicional local de encontro com presidente, foram ao delírio e o aplaudiram.

Um dos apoiadores chegou a perguntar a Bolsonaro sobre a participação do Coronel Ustra, militar condenado pela Justiça Brasileira pela prática de tortura durante a ditadura, morto em 2015 por falência múltipla dos órgãos. "E o Coronel Ustra, estará aí amanhã para a alegria da galera...?"

Horas depois, o Brasil bateu um novo recorde de mortes confirmadas da covid-19 em 24 horas, com 751 óbitos. Ao todo, o Brasil tem 9.897 mortes e 145.328 casos. De ontem para hoje, foram 10.222 novos diagnósticos.

O churrasco foi anunciado pelo próprio presidente ao retornar para o Palácio da Alvorada, no fim da tarde de ontem.

"Vou fazer churrasco sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma peladinha. Devem ser uns 30 [convidados]. Não vai ter bebida. Vai ter vaquinha, R$ 70,00", afirmou.

A possibilidade de reunir pessoas em uma festa, contrariando assim orientações de isolamento social em meio à pandemia de coronavírus, virou alvo de críticas de políticos e foi apontada como "insensível"; hoje, o Ministério da Saúde confirmou 9.897 óbitos pela covid-19 no país.

"O Brasil não tem presidente! Quem marca churrasco diante de 10 mil mortes, com milhares de famílias sentindo a dor da covid-19 na pele, não é um chefe de Estado! É um irresponsável. Não há precedentes no mundo para isso!", declarou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos críticos ao churrasco.

Ataques à imprensa

Ainda durante o encontro da tarde de hoje, bolsonaristas reclamavam da imprensa e, aos gritos, pediam para que os profissionais "parassem de usar jornalismo" para, segundo eles, "atacar o presidente".

"Vocês têm que parar de usar o jornalista para fazer militância. Vocês têm que saber que esse presidente não está sozinho. Não foram vocês que elegeram ele. Fomos nós", gritou um dos apoiadores.

Ao lado, Bolsonaro apenas ouviu os gritos dos apoiadores e riu.

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