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Zambelli à PF: Wajngarten e Ramos pediram esforço para fazer Moro ficar

Moro discursa em casamento de Carla Zambelli - Reprodução/Redes sociais
Moro discursa em casamento de Carla Zambelli Imagem: Reprodução/Redes sociais

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

14/05/2020 19h34Atualizada em 14/05/2020 19h34

Aliada de primeira hora de Jair Bolsonaro (sem partido), a deputada Carla Zambello (PSL-SP) afirmou em depoimento à Polícia Federal que conselheiros do presidente pediram para ela fazer "o possível" para que Sergio Moro continuasse como ministro da Justiça e Segurança Pública.

No depoimento ao qual o UOL teve acesso, a deputada relatou que às vésperas da demissão de Moro, em 23 de abril, conversou com o chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República), Fábio Wajngarten, e com o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Ambos sugeriram que ela continuasse a manter contato com Moro "fazendo o possível para que o mesmo permanecesse ministro".

Zambelli foi ouvida ontem, em Brasília, no inquérito aberto para investigar se houve ou não interferência política de Bolsonaro no comando da Polícia Federal. As acusações que motivaram a investigação foram feitas por Moro, quando deixou a pasta da Justiça, em 24 de abril.

Segundo o depoimento de Zambelli, em 23 de abril, um dia antes da demissão de Moro, ela ligou para Maurício Valeixo, então diretor-geral da PF, e "teria escutado do delegado que ele já havia pedido demissão naquele dia, sem lhe revelar o motivo, porém o ex-ministro Sergio Moro não havia aceito".

Valeixo é o pivô da crise entre Moro e Bolsonaro. O presidente havia pedido a Moro que o substituísse por Alexandre Ramagem, chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e da confiança da família Bolsonaro. Com a negativa do ex-juiz da Lava Jato, Bolsonaro exonerou Valeixo — a medida saiu no Diário Oficial da União na madrugada do dia 24, pouco antes de Moro anunciar sua demissão.

A parlamentar disse aos investigadores que não teve qualquer conversa com pessoas em nome de Bolsonaro e que também não conversou com o presidente sobre uma eventual indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Quando deixou a pasta, Moro revelou ao Jornal Nacional mensagens que, segundo ele, comprovam a intenção de Bolsonaro de interferir na Polícia Federal. Entre as mensagens, o ex-ministro divulgou conversas de WhatsApp que teve com Zambelli.

No depoimento, a deputada disse que no dia 23 de abril encaminhou a Moro uma imagem do índice da Bolsa em queda e justificou que não era oportuno o ex-juiz da Lava Jato deixar o governo.

Nas mensagens, a parlamentar disse que se comprometia a ajudar Moro para conseguir uma vaga ao STF. Ele respondeu que "não estava a venda".

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