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Heleno diz que jornalistas "devem fingir" que não ouvem ofensas no Alvorada

Apoiadores do presidente Bolsonaro hostilizam profissionais da imprensa em 25 de maio de 2020, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília - GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Apoiadores do presidente Bolsonaro hostilizam profissionais da imprensa em 25 de maio de 2020, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília Imagem: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 08h56

O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo federal, afirmou que os jornalistas poderão voltar a cobrir com tranquilidade a saída do presidente Jair Bolsonaro do Palácio da Alvorada, mas devem "fingir que não ouviram" quando forem ofendidos por manifestantes.

"Vim aqui para pacificar essa relação, para vocês terem tranquilidade de trabalhar, vocês têm que trabalhar e os manifestantes têm o direito de ficar ali. Agora, se alguém gritar, vocês têm que fingir que não ouviram", disse ele em uma conversa rápida com um grupo de jornalistas hoje de manhã, no Alvorada, em Brasília. A declaração foi divulgada pela Band News.

O UOL, o jornal Folha de S. Paulo, o Grupo Globo, o Metrópoles e a TV Band decidiram retirar os jornalistas do chamado "curralzinho", espaço normalmente destinado à imprensa na frente do Alvorada pela falta de segurança no local. Jornalistas vêm sendo hostilizados frequentemente por apoiadores do presidente, que xingam e exigem a saída dos profissionais daquele local.

Heleno disse que o governo não tem interesse em que os ataques continuem. Após ouvir reclamações de jornalistas presentes, ele afirmou que a imprensa terá um tempo para deixar o local antes dos manifestantes e saírem em segurança.

"Nós somos os maiores interessados em querer que nada aconteça aqui. Mas a expressão de voz é um direito do cidadão. Se eu não estou ofendendo ninguém, é um direito. Mas isso é educação, formação. A liberdade de expressão vale para todo mundo", afirmou.

No entanto, o presidente Jair Bolsonaro, que constantemente reclama da cobertura da mídia sobre o governo, já chamou a Folha de "canalha" e mandou um repórter do Estado de S.Paulo calar a boca, disse que a decisão por parte de alguns veículos de suspender temporariamente a cobertura diária no Palácio da Alvorada por falta de segurança é "vitimismo".

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