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Olavo de Carvalho pede pena de morte para Alexandre de Moraes: 'Comunista'

O escritor, conferencista, ensaísta, jornalista e filósofo brasileiro, Olavo de Carvalho - Joshua Roberts/Reuters
O escritor, conferencista, ensaísta, jornalista e filósofo brasileiro, Olavo de Carvalho Imagem: Joshua Roberts/Reuters

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 10h18

O ideólogo Olavo de Carvalho criticou Alexandre de Moraes, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de comunista e falou em 'pena de morte' a ele, ao debater sobre o inquérito das fake news, após operação da Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra políticos, empresários e ativistas bolsonaristas, ontem, em cinco estados e no DF. Moraes foi quem determinou a ação.

Durante o programa Terça Livre, do YouTube, Olavo falou sobre a operação na presença de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Ele citou "pena de morte", mas vale lembrar que não existe esse tipo de punição na legislação brasileira.

"Para mim, esse seu Alexandre de Moraes tem que ser posto na cadeia e não ter o direito de falar. Olha, eu sou a favor da pena de morte para esses caras, porque isso aí é uma perversão e com base nessa perversão mataram milhões e milhões de pessoas e continuam matando. Com sua ajuda, sr. Alexandre de Moraes, você é um genocida. É óbvio que é, você é um comunista e todo comunista é genocida", afirmou Olavo.

"Seu ministro, ô Alexandre de Moraes, fake news o caralho. Você não sabe nem ler um texto de direito, e eu provo. Venha num debate comigo que eu provo que você não sabe ler um texto jurídico, você só sabe usar para suas finalidades políticas. Nós estamos sendo dominados por analfabetos analfabetizantes", acrescentou o ideólogo, considerado o guru intelectual da família do presidente da República.

Olavo de Carvalho por diversas vezes citou supostas ameaças comunistas e de grupos como o Foro de São Paulo, comuns em suas falas. Ele afirmou não defender um golpe militar.

"Quando a gente fala que as Forças Armadas têm que agir, não estou falando de golpe, estou falando de usar os instrumentos que a lei nos dá, para reagir a essas coisas", alegou ele. "Você espera que esse negócio do Alexandre de Moraes vai ser um 'mal entendido que vai se esclarecer semana que vem'? O que é que há, até onde vai chegar a sua covardia? É covardia de admitir a realidade. Acredite, não há comunista com quem você possa viver democraticamente."

A operação da PF

Ao todo, foram expedidos 29 mandados de busca e apreensão pelo ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito. Entre os alvos estão pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como:

  • o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB)
  • o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP)
  • a ativista Sara Winter
  • o empresário Luciano Hang
  • o blogueiro Allan dos Santos

O inquérito das fake news no Supremo foi aberto pelo presidente da corte, Dias Toffoli, em março do ano passado para apurar "a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de 'animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi' [difamar, injuriar ou caluniar], que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares".

Ainda ontem, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão do inquérito das fake news. Aras decidiu pedir a suspensão do inquérito após o ministro do Supremo Alexandre de Moraes determinar 29 diligências de busca e apreensão mesmo depois de a PGR ter manifestado discordância com a medida - apesar de ter sido favorável à tomada de depoimentos.

Diferentemente de sua antecessora Raquel Dodge, que pediu o arquivamento do inquérito, o atual procurador-geral diz não ver inconstitucionalidade na forma como a investigação foi aberta — pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli — mas quer que o Ministério Público Federal tenha participação em sua condução.

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