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'Me mantiveram preso ilegalmente para que eu delatasse', diz José Dirceu

Do UOL, em São Paulo

29/05/2020 15h20Atualizada em 29/05/2020 19h00

O ex-deputado José Dirceu (PT-SP) afirmou hoje, em participação no UOL Entrevista, que ficou "preso ilegalmente para que delatasse".

"Eu nunca obstruí a justiça, sempre me apresentei. Não foi crime hediondo, por que eu tinha que ficar preso? Para delatar", afirmou Dirceu.

O político criticou a instituição da delação e também as pessoas que negociaram redução de pena com o Ministério Público.

"Os delatores viraram cachorros, assim como na época da ditadura, treinados para latir conforme o pedido do dono", afirmou.

Dirceu aproveitou a ocasião para criticar o julgamento do mensalão.

"Fui condenado não por meu contrato com a empresa, mas da empresa com a Petrobras. Assim é fácil condenar", avaliou.

O petista explicou que seus processos ainda estão em andamento e, neste momento, aguardam uma resposta do Superior Tribunal de Justiça.

"No total, estou condenado a 40 anos", disse.

Delatores

Dirceu contou ainda que, no processo do mensalão, descobriu que estava sendo investigado pela TV.

"Eu fiquei sabendo pelo Jornal Nacional que eu estava sendo investigado, meu sigilo fiscal já estava na internet e eu já era acusado de ter lavado dinheiro e de corrupção", revelou Dirceu, que acrescentou:

"Daí foi um massacre até eu ser preso em 2015. Estando preso, eu fui preso de novo. Por quê? Para tentar levar para o regime fechado e (fazer) a delação, acrescentou.

Ao longo da entrevista, Dirceu fez duras críticas a delatores. No entanto, ao ser questionado, negou que as críticas fossem a Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula. Preso em 2016 na Operação Lava Jato, Palocci se desfiliou do PT em 2017.

"Eu tenho opinião clara sobre o Palocci: mudou de lado, não tem mais nada a ver conosco. Mas ele tem uma história. Não quero julgá-lo. É como se ele tivesse morrido para nós. Ele tem um passado de luta — construiu como médico, sindicalista, deputado, ministro. Mas em determinado momento, decidiu fazer delação", disse. "Eu não estava me referindo a ele. Me refiro a delatores que passaram a fazer acusações absurdas, não a ele."

Participaram dessa cobertura Beatriz Sanz, Emanuel Colombari, Gustavo Setti, Felipe Amorim e Talyta Vespa (redação) e Diego Henrique de Carvalho (produção).