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Governador do ES pede agilidade em ajuda e critica Bolsonaro nos protestos

Renato Casagrande vê presença do presidente em manifestações como prejudicial às orientações de isolamento social - Reprodução
Renato Casagrande vê presença do presidente em manifestações como prejudicial às orientações de isolamento social Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

03/06/2020 11h31

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), cobrou hoje agilidade do governo federal no repasse da ajuda a estados e municípios que foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro há uma semana. O socorro de R$ 60 bilhões ainda não tem calendário de pagamento definido, mas é esperado que os repasses comecem ainda na primeira quinzena de junho.

"A decisão do governo de repassar para nós R$ 712 milhões, mais adiar o pagamento das parcelas das dívidas, serve para gente poder fechar o ano", disse Casagrande em entrevista à CNN Brasil. "Mas na expectativa muito forte que o governo federal possa agilizar esse repasse, porque é o governo que tem essa capacidade, de assumir dívida."

O governador capixaba fez referência aos R$ 712 milhões que seu estado receberá como compensação pelas perdas de arrecadação por conta da pandemia do coronavírus. Além disso, o Espírito Santo também deve receber outros R$ 224 milhões para investir na saúde.

"Eu já abri aqui no Espírito Santo 650 leitos de UTI exclusivos para a covid. Isso tem um custo, então o governo federal tem que ter um pouco mais de agilidade. A gente está vendo essa descoordenação do governo na condução da pandemia", afirmou Casagrande, que teve um diagnóstico positivo para a covid-19 confirmado no início da última semana.

O governador capixaba cobrou o governo federal não só quanto ao repasse do socorro, mas também voltou a criticar a postura do presidente diante das medidas de isolamento social em vigor em grande parte do país. Para Casagrande, a presença constante de Bolsonaro em manifestações a seu favor em Brasília atrapalha o Ministério da Saúde a dar uma orientação clara à população sobre as formas de prevenção da doença.

"Todos os finais de semana o presidente dá demonstrações contrárias àquilo que a gente fala nos nossos estados, de distanciamento e uso de máscaras. Todo final de semana tem manifestação pró governo e ele participa de todas. Então isso dá sinais totalmente contrários à sociedade brasileira", disse. "Isso torna nosso fardo aqui nos estados muito mais pesado."

RS também cobra agilidade e atrasa salários

Outro governador que deixou clara a sua insatisfação com a demora do repasse aos estados foi Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul. Leite disse que deve atrasar em torno de 40 dias o pagamento dos salários dos servidores por causa da falta de caixa no estado gaúcho.

"É importante que quem paga parte da conta desse atraso é a população, inclusive com salários de servidores, que compromete os serviços à população", explicou Leite, também à CNN Brasil.

"Vai ter um problema de fluxo de caixa", afirmou o governador. "A perda do governo do estado é de R$ 1,2 bilhão até aqui. Quando entrar a primeira parcela (da ajuda federal) vão entrar R$ 500 milhões. Ou seja, quando tivermos perdido R$ 1,2 bilhão, vamos receber R$ 500 milhões. Esperamos que semana que vem tenha esse repasse".

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