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Política

Bolsonaro vai ter de engolir troca de Weintraub na Educação, diz Cid Gomes

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 13h40

Senador e ex-ministro da Educação, Cid Gomes (PDT-CE) criticou hoje a postura de Abraham Weintraub no comando atual da pasta e disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá que "engolir" sua troca.

No UOL Entrevista, com os colunistas Tales Faria e Carla Araújo, o senador relembrou seu histórico no governo de Dilma Rousseff (PT) e também como professor para reafirmar a falta de interação do atual ministro com o tema.

"Fui ministro da Educação, fui professor assim que me formei, passei um ano no Ensino Fundamental. Foi a forma que achei de ter um salário. Mas fui oito anos prefeito e em Sobral fizemos um trabalho que participei não de longe, mas de todo processo, cada etapa. Me julgo uma pessoa com experiência de implantar um programa de maior êxito de alfabetização na idade certa no Brasil. E isso não é pouca coisa", disse Cid Gomes, se referindo a 2015, quando foi ministro da Educação no governo de Dilma.

"Faço isso para dizer que este ministro [Weintraub] não tem nada a ver com educação, zero. Ele nunca teve interação com educação para estar lá. É do grupo de xiitas amalucados do presidente. Depois de ter colocado um colombiano [Vélez Rodríguez na pasta], e isso mostra a exoticidade do Bolsonaro, para não falar nada mais duro", disse o senador.

Sucedendo um colombiano exótico, coloca uma figura que não tem nada a ver, e acha bonito ser como é. E deve ser, porque é isso que o tornou ministro da educação. E uma área fundamental, da qual o futuro do país depende. O que tem a falar? É lamentável. Agora ele mexeu com gente grande, vai ter uma pressão, pode ter boicote e greve, e o Bolsonaro vai ter que engolir e procurar outro. Temo que seja pior ainda, se é que é possível.

Na última semana, Bolsonaro revogou a Medida Provisória 979, que permitia que Weintraub escolhesse reitores temporários para as universidades e institutos federais. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira (12).

Com a devolução da MP, Weintraub, sofreu mais um revés no Parlamento mesmo com a aproximação do governo Bolsonaro com o centrão, grupo informal de partidos com os quais o presidente negocia apoio em troca de cargos na administração pública.

*Texto de Alex Tajra, Beatriz Sanz, Marina Marini e Marinho Saldanha. Produção de Diego Henrique Carvalho

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