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Movimento negro é conjunto de escravos ideológicos da esquerda, diz Camargo

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, ao lado de foto do presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook
Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, ao lado de foto do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

16/06/2020 08h32

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, voltou a atacar os movimentos negros ontem, os chamando de "conjunto de escravos ideológicos da esquerda". Há cerca de duas semanas, em um áudio vazado de uma reunião, Camargo chamou as organizações de "escória maldita".

"A Fundação Cultural Palmares não pertence ao movimento negro, conjunto de escravos ideológicos da esquerda, ínfima minoria dos negros brasileiros", escreveu Camargo no Twitter. "A Fundação pertence ao povo brasileiro, de todos tons de pele, sem qualquer distinção."

O novo ataque aos movimentos veio após Camargo confirmar que foi determinação sua a retirada de biografias de personalidades negras do site da Fundação Palmares. Entre elas, estão a história de vida da vereadora Marielle Franco, assassinada junto com seu motorista Anderson Gomes em março de 2018, no Rio de Janeiro.

"Determinei, quando tomei posse, a retirada de lista de personalidades que homenageia, entre outros, Benedita da Silva e Marielle, ícones da esquerda vitimista", admitiu Camargo.

O presidente da Palmares disse que no lugar das biografias retiradas do site, serão colocados textos sobre personalidades históricas negras dentro de um "novo padrão" da fundação. Como exemplo, ele citou o engenheiro André Rebouças, ao qual chamou de "brilhante e abolicionista".

"A lista retornará após revisão. 'Personalidades negras' destituídas de mérito e nobreza não serão homenageadas na minha gestão", escreveu Camargo. "Políticos da esquerda não são lideranças, são escravizadores de mentes".

Em outra publicação, Camargo reforça sua tese de igualdade racial e de "vitimismo" por parte de quem é contrário às suas posturas.

Histórico de polêmicas

O jornalista Sérgio Camargo foi nomeado presidente da Fundação Palmares em novembro do ano passado. Ele chegou a ter sua nomeação suspensa por decisão judicial, mas voltou à presidência em fevereiro, depois de uma liberação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em maio, novamente o STJ recusou um pedido de afastamento feito pela Rede Sustentabilidade.

No início de junho, Camargo voltou a causar polêmica ao ter os áudios de uma reunião vazados. Neles, além de chamar os movimentos negros de "escória maldita", ele também ofende a mãe de santo Adna dos Santos, chamando-a de "uma filha da puta de uma macumbeira".

Mais recentemente, atacou a cantora Alcione pelo Twitter, respondendo às críticas dela sobre suas posturas. Camargo disse que desprezava a "música insuportável" de Alcione, assim como suas declarações.

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