PUBLICIDADE
Topo

Temer: Velha e nova política é para efeito eleitoreiro, não tem fundamento

DO UOL, em São Paulo

06/07/2020 11h53

O ex-presidente Michel Temer (MDB) acredita que a expressão "velha e nova política" é usada para efeito eleitoreiro e não tem fundamento sólido. Em declaração ao UOL Entrevista, conduzido pelo colunista Tales Faria, Temer listou realizações que foram comandadas pelo que é chamada de "velha política" por seus críticos para sustentar seu argumento.

"Em primeiro lugar, essa história de velha e nova política ela tem objetivo apenas eleitoreiro. Ela não tem fundamento sólido. É da velha política a redemocratização do país, o Plano Real, a lei de responsabilidade fiscal, as reformas da telefonia? Será que é da velha política a redução dos juros, da inflação, das reformas? Isso é da velha política? Não é", disse.

A expressão foi usada com bastante frequência nas últimas eleições, principalmente por novas forças que surgiram no processo como o bolsonarismo. A "velha política", para os críticos, é formada por partidos que dominaram a cena política do Brasil desde a redemocratização e se envolveram em casos de corrupção.

Para Temer, porém, contesta essa visão. "Essa história é apenas para efeitos eleitoreiros. Talvez pudesse fazer a distinção entre velhos e novos políticos. Vivemos em uma República porque ela se assenta na temporariedade dos mandatos. Nós todos somos autoridades constituídas, mas autoridade mesmo tem o povo, e eles que levaram os deputados e senadores ao Congresso Nacional."

Por isso, na visão de Temer, a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Centrão da Câmara dos Deputados precisa ser analisada por outro ângulo.

"O presidente devia fazer uma base parlamentar. Você tem que ter uma base no Congresso. Quem governa o país é o Executivo junto ao Legislativo. Se houver controvérsia, é o Judiciário. Essa é a equação dos poderes. Essa coisa do Centrão, convenhamos, se diz que quem pertence aos partidos tais ou quais não pode indicar ninguém ao governo. O presidente não tem 400 cargos para preencher. O cuidado é você fazer uma avaliação técnica e ética", disse.

Política