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8 meses

Queiroz gastou R$ 50 mil em móveis no Rio, mas já estava em Atibaia, diz TV

18.jun.2020 - Fabrício Queiroz (de vermelho), ex-assessor de Flávio Bolsonaro, no momento em que é preso pelos policiais dentro de um imóvel em Atibaia (SP) - Divulgação/Polícia Civil
18.jun.2020 - Fabrício Queiroz (de vermelho), ex-assessor de Flávio Bolsonaro, no momento em que é preso pelos policiais dentro de um imóvel em Atibaia (SP) Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Do UOL, em São Paulo

26/07/2020 11h43Atualizada em 28/07/2020 22h15

O ex-assessor parlamentar e policial militar aposentado Fabrício Queiroz, muito próximo ao clã do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), teria comprado móveis no valor de R$ 50 mil, em uma loja no Rio de Janeiro, quando já frequentava o local onde se escondeu em Atibaia (SP), de acordo com reportagem da TV Globo.

O objetivo, segundo o MP-RJ (Ministério Público do Rio), foi ocultar seu real paradeiro, caso fosse surpreendido por uma operação policial em casa.

Queiroz teria mentido ao informar, na compra, que era morador do Rio de Janeiro, de acordo com o Ministério Público. O ex-assessor foi preso em Atibaia no dia 18 de junho de 2020.

A casa onde Queiroz estava escondido pertence a Frederick Wassef, advogado que então fazia parte do grupo de defesa de Flávio e muito ligado ao presidente.

O ex-assessor é investigado por suspeitas de participar de um esquema de "rachadinha" no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente e hoje senador. De acordo com a apuração da TV, o investimento na mobília nova tem valor cinco vezes maior do que a remuneração como ex-policial.

No dia 5 de julho de 2019, o ex-assessor comprou móveis em uma loja do Jardim Botânico, bairro nobre da zona sul carioca, segundo a reportagem. Ele informou morar na rua Frei Luiz Alevato, na Taquara, endereço da zona oeste distante cerca de 30 km dali. A entrega era para outro imóvel no mesmo bairro, na rua Meringuava, onde hoje ele cumpre prisão domiciliar ao lado da esposa, Márcia Aguiar.

Segundo a investigação, sem o salário que recebia na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro como assessor, Queiroz teria uma renda oficial de cerca de R$ 11 mil mensais, recebidos por ser policial militar aposentado. Ou seja, valor muito inferior ao gasto na compra.

Dez dias após a compra, no dia 15 de julho, a defesa de Queiroz prestou informação semelhante ao MP-RJ sobre seu endereço de residência. Juntou ao processo uma cópia de conta de luz, tendo como junho de 2019 o mês de referência. É apontado o mesmo endereço fornecido à loja de móveis: rua Frei Luiz Alevato.

Essa foi uma resposta a uma cobrança feita pelo MP-RJ, que solicitou formalmente à defesa do ex-policial um endereço fixo para que tivesse acesso aos autos.

Tanto a informação fornecida à loja de imóveis assim como a presente na conta de luz e no ofício do advogado são consideradas "falsas" pelo Ministério Público.

No pedido de prisão de Queiroz, os promotores anexaram provas de que, ao menos desde agosto de 2019, ele já frequentava o imóvel em Atibaia que pertence ao ex-advogado de Flávio e Jair Bolsonaro.

Segundo o MP-RJ, "enquanto sua defesa omitia dos autos seu paradeiro e alegava problemas de saúde que o impediriam de depor, Fabrício Queiroz escondia-se na cidade paulista de Atibaia".

O advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defende Queiroz, informou que não vai se pronunciar.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no último parágrafo do texto, o advogado que defende Queiroz atualmente é Paulo Emílio Catta Preta, e não Paulo Klein. A informação foi corrigida.

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