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União do centro nas eleições pode afastar polarização, diz Temer

O ex-presidente Michel Temer disse que fragmentação do centro aumenta polarização política - Amilcar Orfali/Getty Images
O ex-presidente Michel Temer disse que fragmentação do centro aumenta polarização política Imagem: Amilcar Orfali/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

29/07/2020 10h36

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou hoje que uma união dos partidos de centro nas eleições pode ajudar a afastar a polarização da política nacional. Em entrevista concedida à rádio Cultura FM, ele defendeu que a fragmentação das candidaturas de centro faz a disputa se restringir a polos mais radicalizados.

"O que me parece ao longo do tempo é que o chamado centro sempre se divide em duas, três candidaturas - o que permite que a disputa final fique entre os mais polarizados", afirmou Temer no programa Oito em Ponto, de Sergei Cobra.

"Eu acho que o chamado centro se divide muito", declarou o ex-presidente. "Se tivesse um grupo de direita, um grupo mais a esquerda e um grupo de centro, seriam três facções — digamos assim — bem definidas. Quando você fosse votar, você optaria por uma dessas facções, desses programas", explicou.

Uma das lideranças históricas do MDB, Temer alertou ainda para a radicalização do ambiente político. "Eu faço uma pequena distinção entre polarização e radicalização. A polarização pode ser, muitas vezes, de programas, de ideias. A radicalização é uma coisa mais pessoal. Você vê que instalou-se muitas vezes uma espécie de ódio entre pessoas, entre brasileiros. Coisa que não era do nosso temperamento", defendeu.

Apesar do cenário polarizado, o ex-presidente acha que se faz necessário afastar os rótulos dos espectros políticos e focar no que cada programa pode trazer ao país. "Eu não gosto dos rótulos, só vou usar porque é tradição. Digo que não gosto de rótulos porque hoje o que o povo quer é resultado. Não interessa se vem de esquerda, de direita, de centro", disse.

Conselhos a Bolsonaro

Na entrevista, Michel Temer voltou a comentar sobre os conselhos que tem dado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele acredita não ter sido a única pessoa ouvida por Bolsonaro e disse que também escutava muitas pessoas quando era presidente.

"O presidente da República ouve muita gente. Deve ter ouvido as minhas afirmações também, as minhas considerações, ao lado de outras tantas. Você, como presidente, sempre toma — pelo menos no meu caso foi assim — uma decisão depois de ouvir muita gente", declarou.

"De vez em quando dizem, 'ah, ele recorreu a seu conselho'. Não é exatamente isso, ele só ouviu naturalmente o que andei falando, o que eu disse a pessoas ligadas a ele, a ele mesmo, e talvez tenha ajudado", disse.