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Quem é Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro

O vice-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC) - Folhapress
O vice-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC) Imagem: Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

28/08/2020 07h22

Governador em exercício do Rio de Janeiro depois do pedido de afastamento de Wilson Witzel (PSC) do cargo na manhã de hoje, Cláudio Castro (PSC) tem perfil tido como "conciliador". Ele também é um dos alvos da operação de hoje e ainda não se pronunciou.

Ex-chefe de gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Castro era a aposta de Witzel para acalmar os ânimos de parlamentares da Casa Legislativa durante a crise implodida com o então secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão —que também é alvo de operação na manhã de hoje.

O processo de impeachment que está em curso contra Witzel na Alerj pode fazer com que Castro assuma definitivamente o cargo.

Nascido em Santos (SP) e cantor gospel com dois álbuns já lançados, Castro cumpria o seu primeiro mandato como vereador na Câmara Municipal do Rio em 2018, quando foi escalado pelo PSC para ser vice-candidato do quase desconhecido ex-juiz federal que tentava a sorte na política.

A certeza de insucesso na empreitada era tão grande que, dias antes do primeiro turno, assessores já haviam redigido o pronunciamento que marcaria a sua volta à Casa Legislativa.

No entanto, com Witzel eleito na esteira do bolsonarismo, coube a Castro o papel de "antessala do governador", como passou a ser chamado ironicamente por prefeitos de interior do estado que tinham dificuldades de estabelecer diálogo.

Deputados estaduais também precisavam recorrer a Castro para conseguir um café com o chefe do Executivo. "Só através do Cláudio a gente conseguia falar com o Witzel. Nunca foi fácil não", conta um prefeito da região serrana do Rio. "Witzel nunca teve saco para governar, para lidar com o Parlamento", resume um deputado do PSC.

Discreto, o vice-governador é considerado "habilidoso" nos bastidores. Amigo do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (ambos do DEM), ele também manteve bom trânsito com membros da família Bolsonaro, da qual Witzel se tornou desafeto após se declarar pré-candidato à presidência da República, em 2022.

Nas últimas semanas, com a iminência de assumir o cargo, ele foi o responsável pela volta de André Moura para a Secretaria da Casa Civil. "Eu voltei por pedido do Cláudio", afirmou o secretário ao UOL.

Amigo de deputado denunciado

Por 12 anos, Castro foi chefe de gabinete do deputado Márcio Pacheco (PSC), o primeiro denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por integrar suposto esquema de rachadinhas na Alerj, antes de ser eleito vereador.

Ainda trabalhando como vereador, Castro teve um mandato considerado "discreto". Católico, mas filiado ao PSC —partido loteado por líderes evangélicos—, ele foi autor de projetos como o que criava o Dia do Escotismo.

Em outro projeto, conseguiu a destinação de 10% das multas de trânsito para acessibilidade de pessoas com deficiência. Apesar de fazer parte de um partido conservador, transitava bem nos corredores do Palácio Pedro Ernesto e, em 2017, promoveu uma audiência pública na Câmara.

Entre as convidadas da mesa de debate estava a vereadora Marielle Franco, do PSOL, que seria assassinada em março do ano seguinte.

Apesar do bom relacionamento com Witzel, assessores e funcionários do Palácio Guanabara são unânimes ao dizer que "eles nunca foram amigos, mas se tratam bem".

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