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Prefeito de Cuiabá e ex-governador viram réus por suspeita de "mensalinho"

O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) - Josiane Pettengill/Secom-MT
O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) Imagem: Josiane Pettengill/Secom-MT

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

12/09/2020 18h25Atualizada em 12/09/2020 18h25

A Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal em Mato Grosso contra dez ex-deputados da Assembleia do estado, entre eles o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), por suspeita de participação em um esquema de "mensalinho" que teria vigorado até 2014. O ex-governador Silval da Cunha Barbosa (MDB) também foi denunciado.

Além de Pinheiro, tornaram-se réus José Joaquim de Sousa Filho, conhecido como "Baiano Filho", Luiz Marinho de Souza Botelho, Luciane Bezerra, Alezandre Luis Cesar, Gilmar Fabris, Carlos Antônio de Azambuja, Ezequiel Angelo Fonseca, José Domingos Fraga Filho e Airton Rondina Luiz, conhecido como "Airton Português".

Todos foram acusados de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa.

A denúncia é um desdobramento no âmbito da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal em 2013 para averiguar os supostos pagamentos ilegais na Assembleia de Mato Grosso. Barbosa firmou acordo de delação premiada e entregou vídeos em que políticos do estado recebem dinheiro vivo. As gravações foram veiculadas pelo Jornal Nacional em 2017.

O ex-governador alega que os vídeos foram feitos pelo seu então chefe de gabinete, Silvio Correa, também denunciado. A Procuradoria afirma que os pagamentos de propina estão atrelados ao orçamento robusto que o estado teve em decorrência da Copa do Mundo de 2014.

Segundo o MPF, este grupo de deputados solicitou pagamento de "vantagem indevida no montante de R$ 1 milhão para cada deputado com vistas a manter a 'governabilidade' e garantir que as contas do governo fossem aprovadas."

O montante, ainda de acordo com a Procuradoria, foi reduzido a R$ 600 mil após negociação do ex-governador Barbosa com os deputados estaduais. O valor seria pago em 12 parcelas de R$ 50 mil.

Segundo a investigação, Barbosa incumbiu o então secretário Valdísio Viriato de coordenar as propinas pagas, além de atuar junto ás construtoras que executavam as obras da Copa do Mundo. A denúncia afirma que os deputados "fiscalizavam" entre eles as propinas pagas pelo ex-governador.

"Já o dinheiro oriundo das empresas que executavam as obras da Copa do Mundo era arrecadado por Maurício Guimarães, então Secretário de Estado da Copa, e entregues diretamente para Silva da Cunha Barbosa", diz o MPF.

A Procuradoria informou que abriu inquérito para investigar um suposto crime de lavagem de dinheiro por parte do prefeito Emanuel Pinheiro. Ele teria comprado um imóvel avaliado em mais de R$ 1,3 milhão por R$ 20 mil.

Outro lado

Em nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o prefeito Emanuel Pinheiro disse o processo servirá para trazer a realidade dos fatos a tona e provar a sua inocência.

A reportagem tenta contato com os outros citados. Os posicionamentos, caso enviados, serão publicados neste texto.

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