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Luiza Trajano critica desunião no governo: 'Falta estratégia para 10 anos'

Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura - Reprodução/TV Cultura
Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

05/10/2020 23h37

Luiza Trajano, empresária dona da rede Magazine Luiza, afirmou na noite de hoje que falta união no governo brasileiro para lidar com a crise decorrente da pandemia do novo coronavírus e que a falta de um planejamento a longo prazo pode custar caro ao país.

"Faltou uma posição única no país sobre a covid-19", disse em entrevista à TV Cultura. "Num momento desses tinha que unir todo mundo para fazer o possível. CPF não volta mais, uma empresa, você resgata ela Faltou uma unidade de pensamento: um falava uma coisa, outro dizia outra, o ministro uma coisa, o presidente outra. Isso não é uma coisa boa, e nem é gestão", acrescentou.

A empresária, que se declarou como uma pessoa democrática, evitou fazer críticas diretas ao governo Bolsonaro, embora tenha mencionado que é o momento "da direita estar na vitrine" e defender a necessidade de equilíbrio entre as formas de pensamento. No entanto, ela reclamou a falta de um planejamento a longo prazo para diversas áreas.

"O que acho que falta para o Brasil é um plano estratégico para dez anos, que tenha educação, habitação, saúde, que todo mundo saiba onde queremos chegar", afirmou, acrescentando o Japão como exemplo. "Quando fui para o Japão pela primeira vez, em 2015, tinha plano até 2030".

Sem partido

Presidente do Grupo Mulheres do Brasil, voltado para mudanças na sociedade, Luiza se disse uma pessoa ligada à política, embora sem nenhuma filiação ou inclinação partidária.

Apartidário é uma coisa, político é outra. Pertencer a um partido é diferente. Sou a favor de tudo que é bom no Brasil

"O que acredito que é bom para o Brasil, não por isso [questão partidária] vou ser contra. Sempre fui a favor de Bolsa Família, aí quando sou a favor de bolsa família, dizem 'ela é PT'. Quando sou a favor da privatização dos Correios, sou de direita. Na verdade coloco meus pontos de vista que acho que são a favor do Brasil", acrescentou.

Apesar da atuação em bastidores e à frente do Grupo Mulheres do Brasil, ela afirmou, em mais de uma ocasião que não apresenta pretensão de assumir um cargo público.

Eu nunca digo nunca, porque não sei o dia de amanhã. Mas como vou sair candidata se não me filiei até hoje a partido político?

"Não tenho poder, tenho participação na política. Eu influencio porque defendo coisas que acho importantes. Gosto do Brasil e acho que precisamos assumir mais o Brasil, e não só falar mal, meter o pau. O papel de protagonista, a escravidão deixou para nós: ou você é colonizado, ou colônia. E sempre quis que assumíssemos o Brasil (...) Agora, sei que um cargo público, de política, vale mais do que 40 anos de empreendedorismo, porque só de eu ser convidada para ser ministra, parece, uma vez, há muito tempo, as pessoas não esquecem isso de jeito nenhum. O cargo político te dá muito status, mas nunca me filiei, nunca tive pretensão. Então o povo pode ficar tranquilo que não corro o risco de ser candidata, mas sou uma política do Brasil", declarou.

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