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Alvo de ação de impeachment, Moisés compara movimento a "crime organizado"

Carlos Moisés afirma que revisão de contratos da gestão irritou "grupos políticos", que querem tirá-lo do cargo "no tapetão" - Maurício Vieira/Secom/Divulgação
Carlos Moisés afirma que revisão de contratos da gestão irritou "grupos políticos", que querem tirá-lo do cargo "no tapetão" Imagem: Maurício Vieira/Secom/Divulgação

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

08/10/2020 04h03

Pressionado por dois processos de impeachment, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), resolveu contra-atacar. Em entrevista concedida ao UOL na quarta-feira (7), chamou de "crime organizado" a movimentação contra ele na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina).

O grupo, que o governador prefere não destrinchar em nomes, estaria agindo para derrubar seu governo no "tapetão", na "virada de mesa", na visão de Moisés.

O governador, que é ex-bombeiro e pela primeira vez ocupa um cargo político, disse que revisou uma série de contratos firmados por gestões anteriores em Santa Catarina. Afirmou que "grupos políticos", que se beneficiavam de acordos fechados sob termos injustificáveis, perderam com sua iniciativa.

Para ele, esses mesmos grupos agem agora para afastá-lo do governo e retomar a influência perdida. "Estamos brigando contra o crime organizado que atua no estado", disse Moisés, sobre as ações em defesa de seu mandato.

"Nós fechamos a torneira que alimentava um esquema pernicioso das velhas práticas, que envolvem deputados e outros agentes", complementou Moisés. "Quem frauda uma licitação ou faz contratos que não são interessantes para o poder público está cometendo crime. Digo que é organizado porque envolve atores se organizando para cometer o mal."

"Governador não compra", diz Moisés sobre caso dos respiradores

Carlos Moisés e a vice Daniel Reinehr são alvos de dois processos de impeachment. O procedimento com tramitação mais avançada trata da concessão de aumento a procuradores do estado.

A Alesc já decidiu que o caso precisa ser julgado por uma comissão mista de desembargadores e parlamentares. Se a comissão concordar em analisar a questão, Carlos Moisés e sua vice serão afastados temporariamente de seus cargos até o julgamento ou por 180 dias.

Moisés nega ter autorizado o aumento questionado no processo e argumenta que não deveria sofrer um impeachment por conta dele. "Não há decisão do governador. Houve uma determinação judicial e a Procuradoria do Estado cumpriu a decisão", afirmou. "O processo é injustificado."

O segundo processo trata da compra de 200 respiradores, por R$ 33 milhões, que não foram entregues. O governador admite que houve uma falha no sistema de compras do governo neste caso. Nega, porém, que tenha qualquer participação na transação.

"Governador não compra.", afirmou. "O caso tem que ser investigado e apontados os responsáveis."

Moisés acusa, mas não cita nomes ligados a "crime organizado"

Moisés não diz quem seriam os "criminosos" agindo pelo seu impeachment. Ele falou com a reportagem por cerca de 45 minutos. Foi questionado três vezes sobre os interessados na derrubada de seu governo. Não disse nomes, mas afirmou que eles serão revelados pela Justiça.

"Investigações vão revelar nos próximos anos situações muito importantes. Catarinenses saberão os nomes quando a Justiça revelar", desconversou.

O governador, no entanto, citou a operação Alcatraz como uma das ações que vêm "passando o estado a limpo". Liderada pela PF (Polícia Federal) e MPF (Ministério Público Federal), a operação denunciou duas vezes o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD-SC), por corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Presidente da Alesc na mira da Justiça

Como os processos de impeachment contra Moisés também envolvem a vice-governadora, Daniela Reinehr, Garcia pode ser alçado a governador. Na terça-feira (6), ele fez um pronunciamento ressaltando sua inocência e dizendo que as denúncias contra ele são abusivas.

"Tenho carreira política reta e ilibada, não havendo qualquer ato ao longo de 40 anos de vida pública de que possa me envergonhar", afirmou.O governador Moisés afirmou, inclusive, que as denúncias contra Garcia criaram um "novo cenário" para o andamento dos processos de impeachment. Este mais favorável à continuidade de seu governo.

Governador vê deputados "sem envergadura moral"

Segundo Moisés, investigações mostraram que alguns deputados catarinenses ("não todos", ele frisa) não têm "envergadura moral" para lhe julgar. O governador reclamou, aliás, que parlamentares exigem transparência do governo, mas são coniventes com falhas dos próprios parlamentares.

"Deputados foram muito ávidos em fazer reparos no governo. Só que, quando há uma fragilidade no Parlamento, o silêncio é absoluto. O Parlamento não tem a mesma régua de moralidade e transparência para seus pares", disse.

Carlos Moisés ressaltou que pesquisas de opinião apontam que seu governo é aprovado por mais de metade da população de Santa Catarina, apesar dos impeachments e da pandemia. Ele disse confiar na Justiça e que superará a crise envolta nas tentativas de sua cassação.

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