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Política

Em despedida, Celso diz ter fé na independência do STF em tempos nebulosos

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

07/10/2020 18h37

Em sessão marcada por homenagens à sua trajetória de 31 anos no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Celso de Mello afirmou ter "inabalável fé" na independência do STF, "por mais desafiadores, por mais difíceis e por mais nebulosos que possam ser os tempos que virão e os ventos que soprarão", disse o ministro.

Celso participa esta semana de suas últimas sessões do plenário da corte antes de se aposentar por ter atingido a idade de 75 anos, em que a aposentadoria é obrigatória por lei.

Hoje, o ministro foi homenageado pelos colegas e foi chamado de "farol" do Supremo pelo presidente do STF, Luiz Fux. "Vossa excelência é fonte de orgulho para todos os cidadãos brasileiros e seus ensinamentos serão sempre um farol para os integrantes desta corte", disse Fux.

Em um rápido agradecimento às homenagens, Celso de Mello disse que o Brasil vive um momento "delicado", no qual autoridades tentam "cooptar" a independência das instituições.

"Estou absolutamente convencido de que os magistrados deste alto tribunal, por suas qualidades e atributos, sempre estarão, como sempre estiveram, à altura das melhores e das mais dignas tradições históricas desta Suprema Corte brasileira", afirmou o ministro.

"Especialmente em um delicado momento de nossa vida institucional no qual se ignoram os ritos do poder e em que altas autoridades da República, por ignorarem que nenhum poder é ilimitado e absoluto, incidem em perigosos ensaios de cooptação de instituições republicanas, cuja atuação só se pode ter por legítima quando preservado o grau de autonomia institucional que a Constituição lhes assegura", disse Celso de Mello.

O ministro é o decano do tribunal, julgador há mais tempo em atividade no Supremo.

Ele se aposenta no dia 13 de outubro, pouco antes de completar 75 anos, em 1º de novembro.

Como parte das homenagens à carreira do ministro, o STF lançou um livro e um site sobre sua trajetória no Supremo.

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