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Para alfinetar Dino, Bolsonaro diz que MA vive 'regime ditatorial'

Bolsonaro disse que o Maranhão vive um "regime ditatorial", mas sem apresentar qualquer argumento concreto que fundamentasse as suas declarações - CLÁUDIO MARQUES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsonaro disse que o Maranhão vive um "regime ditatorial", mas sem apresentar qualquer argumento concreto que fundamentasse as suas declarações Imagem: CLÁUDIO MARQUES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Hanrrikson de Andrade e Felipe Pereira

Do UOL, em Brasília

29/10/2020 16h36Atualizada em 29/10/2020 22h37

Ao cumprir agenda hoje no Maranhão, Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou para alfinetar um de seus rivais no atual cenário político, o governador Flávio Dino (PCdoB). O presidente afirmou que o estado da região Nordeste vive um "regime ditatorial", mas sem apresentar qualquer argumento concreto que fundamentasse as suas declarações. Tecnicamente, nenhum ente da federação tem hoje um modelo político antidemocrático.

Político há mais de 30 anos, Bolsonaro tem como uma de suas bandeiras a oposição ideológica ao comunismo e à esquerda em geral. Ele chegou à Presidência da República com esse discurso e, naturalmente, vê Dino como um adversário —o governador é filiado ao Partido Comunista do Brasil e foi reeleito em 2018 no primeiro turno, com 59,29% dos votos.

Bolsonaro declarou ainda que, "em um curto espaço de tempo", ele "mandará o comunismo embora" com o apoio da população.

"E, se Deus quiser, brevemente estaremos para comemorar a erradicação do comunismo no nosso Brasil", discursou ele durante visita ao "Panelódromo", uma espécie de praça de alimentação pública localizada no município de Imperatriz.

"Essa nossa bandeira sagrada jamais será turvada de vermelho. Esse estado rico, promissor e com um povo maravilhoso ocupará lugar de destaque no Brasil", disse o presidente, mais uma vez sem mencionar o nome do desafeto.

"Amigos do Maranhão e meus irmãos de Imperatriz. Podem ter certeza, eu vim também, obviamente, por graças de Deus e pelas mãos de muitos de vocês. E nós vamos, em um curto espaço de tempo, mandar embora o comunismo do Brasil", afirmou. "Não aceitamos esse regime ditatorial, onde o povo não tem vez."

Procurado pelo UOL, o governador Flávio Dino classificou a fala do presidente como "mentirosa e desrespeitosa". "A maior prova de que não é um regime ditatorial é que ele teve plena liberdade de vir ao Maranhão, passear e falar suas habituais bobagens e grosserias".

Mais cedo, em outro local da cidade maranhense, o governante fez uma piada preconceituosa depois de beber um gole de guaraná Jesus, um tradicional refrigerante da região e que tem cor rosa.

"Agora eu virei boiola. Igual maranhense, é isso?".

"Guaraná cor-de-rosa do Maranhão aí, quem toma esse guaraná aqui vira maranhense", disse ele, mostrando um copo com a bebida ao público que o acompanhava. A cena ocorreu na cidade de Bacabeira (MA).

Em resposta ao presidente, Flávio Dino afirmou que a declaração sobre o guaraná é "mais uma frase tosca, sem graça, preconceituosa". Nas redes sociais, o governador também disse que vai processar Bolsonaro.

"Uh, o pai tá on"

Durante o discurso, Bolsonaro fez uma mulher não identificada, que estava em seu palanque, de "loira maravilhosa" (apesar de ela não ter cabelos loiros) e a parabenizou por fazer aniversário.

"Cadê a nossa loira? Olha a coincidência aqui. Essa loira maravilhosa hoje está fazendo 25 anos. Parabéns, felicidades, loira."

O público presente na cerimônia respondeu aos gritos de "Uh, o pai tá on", em referência ao bordão do atacante Neymar.

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